Sair do Rio e chegar aqui foi como transpor uma porta
imaginária, onde, do lado de lá, o caos; do lado de cá, o paraíso. Foi como da
água para o vinho; do jiló para o pudim de leite.
Isso mesmo! Trocar o céu iluminado de balas traçantes por um
céu estrelado que embala os amantes, não tem preço. Permutar o olhar tenso dos
cariocas pelo sorriso da paz de espírito com quem cruzo nas ruas vale a pena
pagar qualquer coisa.
Estou, mais uma vez, encantado, porque até o canto dos
pássaros é diferente. É canto em qualquer canto, não é choro nem lamento.
Porque nas praias o arrastão é dos pescadores puxando as redes e não de marginais.
Porque aquele que lhe estende a mão não tem uma arma para lhe assaltar, mas a
palma dela para lhe cumprimentar.
Como fazia muito tempo que não vinha — luz, água, gás,
desligados —, assim que pus os pés em casa, um vizinho logo bateu à minha
porta, perguntando se precisava de alguma coisa; também não me surpreendi ao
encontrar a minha vaga na garagem ocupada por algum oportunista. E bastaram 5
minutos, após um telefonema, e a Internet já estava à minha disposição.
Os preços dos hortifrutigranjeiros são muito mais em conta.
Por aqui, tem muita colônia e pequenos agricultores. Massas, farináceos e embutidos,
também, porque há micro e médias empresas da região, que competem na qualidade
e nos preços com os tradicionais líderes de mercado. As queijarias, idem. Os
vinhos e aguardentes, nem se fala. E para quem gosta, tem cervejas artesanais
de excelentes qualidades.
Por conta de compromissos no Rio, ainda não me estabeleci
definitivamente por aqui. Por isso, moro com um pé lá e outro cá, nos 6 últimos
anos. E acreditem: mesmo procurando conhecer os belos lugares, ainda não cheguei
nem na metade. Estou me referindo somente à cidade.
Quanto à inspiração que tenho aqui... Bem, isso fica para
outra ocasião.
Espero que tenha contribuído para que, na sua próxima viagem
de férias, escolha esta bela e encantadora cidade. Ou seja, a Ilha da Magia,
Florianópolis – SC.

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