ESTOU MORRENDO...

 

Estou morrendo... de medo por estar vivo.

Eu sou um cara vivo, mas estou morrendo de medo.

Apesar dos muros erguidos até o céu, as câmeras de segurança e a cerca elétrica, morro de medo do morro que me cerca.

De que adianta ser uma pessoa honesta, correta, justa, se de nada vale isso tudo, se estou condenado à prisão domiciliar?

De que adianta pagar caro por um plano de saúde para não morrer, a Deus dará, se o diabo é meu vizinho?

De que adianta seguir a orientação do cardiologista para caminhar todos os dias, se não posso sair à rua? O que eu preciso é de um anti-hipertensivo para tratar do medo que me faz viver tenso o tempo todo. O que eu preciso, é de um antidiurético, porque vivo urinando nas calças. O que eu preciso também, é que me receite Imosec porque ando me borrando todo.

Esta não é a saga de um velho que passou a ter medo da vida. Pelo contrário, esta é a saga de alguém que tem medo da morte.

Vivo numa cidade que, não sei o porquê, ainda chamam de maravilhosa. Chamam certamente porque não sabem que o céu não é mais azul de brigadeiro, mas negro de artilheiros; porque o som que se ouvia em cada canto não é mais o samba, mas o barulho de fuzis e metralhadoras; porque não existe mais a hospitalidade e a irreverência do carioca, mas a maldade e a indecência do paralelo.

Numa cidade em que a polícia tem medo de bandido; os pontos turísticos viraram bocas de fumo; e o governo está desgovernado, tenho medo de, apesar de ser um ser vivido, estar vivo porque esta feliz Cidade Maravilhosa foi transformada em infeli-Cidade Má e Horrorosa!



DIA DOS NAMORADOS


“O amor é eterno, os amores é que passam!”

    Acredito nisso porque essa máxima retrata o maravilhoso sentimento que vivi com todas as mulheres que, além de passarem por mim, deixaram marcas na minha vida.


                                                                              

“Jurei amar-te com amor bem puro,

Jurei e juro e morrerei jurando,

Se para amar-te for a minha a morte,

Eu juro a sorte de morrer te amando.”

 


    De uma forma ou de outra, eu disse isso a todas elas. Mas não foi da boca pra fora. Disse sinceramente porque era o que sentia, vivia intensamente, era exatamente aquilo o que meu coração vivia nessas relações. Ou seja, como disse sabiamente o Poetinha, Vinicius de Moares, “O amor é eterno enquanto dura.”

 

    Se ficou mágoa, tristeza, ódio, desculpem-me. Acho que não tenho culpa de meus sentimentos não estarem à altura de qualquer uma de vocês. 

 

    Sendo assim, desejo que tenham encontrado sua cara metade e que nesse Dia dos Namorados, não pensem em mim, mas estejam abrindo um vinho e brindando com o seus parceiro da mesma forma que estarei com a minha atual mulher.

 

 

 

 

 

Sei que muitas das mulheres que passaram em minha vida


AS NOVAS “EDITORAS”

 


            Eu não acredito que Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Jorge Amado e Paulo Coelho, dentre tantos grandes escritores, passaram às mãos de leitores beta e/ou leitores críticos seus originais antes de os enviarem para as editoras.

            Talvez você diga que, por serem escritores fora de série, nunca precisaram desses recursos para terem suas obras aprovadas. Quem sabe me diga também que isso ocorre hoje em dia em razão do aperfeiçoamento das editoras, a fim de levarem até o leitor livros de excelente qualidade literária.

            Desculpem, mas discordo plenamente. O que aconteceu nos últimos anos, foi, com o crescimento assustador de escritores que desejam publicar a sua primeira obra, o surgimento de pequenas empresas procurando se aproveitar deles. É a indústria literária.

            Lembro que, sem a menor pretensão de ser um Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Jorge Amado ou Paulo Coelho, quando publiquei os meus primeiros livros, era assim: enviava para as editoras os originais, elas liam, e, depois de certos dias, enviava uma resposta: sim ou não! Simples assim. Caso desejassem publicar, ela fazia a revisão gramatical; diagramação; capa; registros; ficando para o autor a incumbência, caso desejasse, de convidar alguém para fazer o prefácio. Sem que ele tivesse de gastar um único tostão.

            Hoje, as grandes editoras — pouquíssimas — continuam a usar do mesmo expediente. Porém, aproveitando-se dos sonhos desses novos autores, como mencionei, surgiram cursos sobre narrativa; leitores beta para lerem e sugerirem alterações no texto; revisores; diagramadores; capistas e ilustradores (sem falar nos registros, como o ISBN e ficha catalográfica), cujos valores — sem falar no número de exemplares a serem editados — são exorbitantes. É o que chamam de publicação compartilhada. É claro que muitas ainda oferecem desconto especial para o autor. Ou seja, dá uma “promoção” para que ele compre o livro de sua própria autoria, o qual ele mesmo pagou para publicar.

            Pois é. Como nos tempos da vovó, sempre que termino de escrever um livro, tiro cópias e passo às mãos de pessoas que gostam de ler, a fim de criticá-los. Eles se distraem, não pago nada por isso, e ainda aceito os seus conselhos.

Foi por isso que, em 2012, resolvi criar a LF Editora, mas com a intenção de publicar somente os meus livros. Ainda faço isso até hoje, porém, vendo cada dia essa indústria literária crescer cada vez mais, passei a colaborar gratuitamente com aqueles que desejam publicar a sua primeira obra independentemente (a preços justos, já que mostro o mesmo caminho que percorro para publicar meus livros), ou como deve proceder para entregar os seus originais devidamente a uma editora tradicional.         

            Ganhar dinheiro às custas dos sonhos dos outros é deplorável!

           

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...