UTILIDADE PÚBLICA PARA OS APOSENTADOS

    Faltando um ano para receber o “privilégio” da Previdência, estudei e me preparei para a famigerada aposentadoria.

Passei noites em claro pensando e fazendo uma lista de tudo o que eu queria:

  • Acordar tarde.
  • Assistir Netflix até de madrugada, na cama.
  • Fazer caminhada pela manhã.
  • Tomar um chopinho com os amigos no bar, antes do almoço.
  • Ver futebol na TV a três por dois.
  • Viajar.

    Mas cometi um grande erro: esqueci que conviver com a minha mulher, que já estava aposentada, 24 horas por dia, e que ela poderia levar em conta o seu vício: o uso do celular, que faz a cabeça de todo mundo com a palavra de ordem, que é “compartilhar”.

    Assim, quando acordo “tarde”, por volta das 7 horas, tenho de fazer a cama e lavar a louça do café. Que depois da caminhada, mal chego no bar, ela liga, mandando eu comprar legumes e hortaliças para o almo, que devem chegar à casa urgentemente; que ver a Netflix até de madrugada, tem de ser na TV da sala, porque se sente incomodada, no quarto; que o futebol, também de ser com o volume baixo porque, além de atrapalhar a sua novela, preciso ouvir que sou um otário já que os campeonatos são cheios de corrupção, e todo mundo sabe quem será o campeão.

    Pelo menos devo admitir que sobrou a viagem. Claro que, nesse momento, estou só planejando, porque, atualmente, as viagens que ando fazendo é de casa para os shoppings e para a casa da sogra.

    Portanto, amigos prestes a se aposentarem, quando forem planejar suas famigeradas aposentadorias, pensem bem se não será melhor continuarem trabalhando, para não fazerem como eu, que estou saindo para uma entrevista de trabalho.

O TORCEDOR FANÁTICO

     Lembro que conheci o Sidão quando ele estava indo para o AA. Não se trata dos Alcoólicos Anônimos, mas, segundo ele, um dos maiores clássicos do campeonato carioca de futebol. Da terceira divisão, naturalmente: América X Audax.

    Sidão é meu vizinho. Só anda de camisa vermelha, mas não é por causa de sua preferência política, e, sim, porque é torcedor fanático do América. E como todo apaixonado é cego, embora, como dizem por aí, que o tamanho da sua


torcida seria suficiente para encher uma Kombi, ele afirma que o Mequinha tem a maior torcida do Rio. E justifica: “Se o América é o segundo clube de vascaínos, tricolores, botafoguenses e flamenguistas...”

    Seu fanatismo é tanto, que é capaz de dizer de cor e salteado os times que se sagraram campeões nos 7 campeonatos conquistados. E olha que ele não tinha nem nascido! A cor do seu carro é vermelha, e a placa é AFC 1960 (ano da última conquista do Carioca). A cor da sua casa também é vermelha, e tem até na fachada a célebre frase do hino do clube: “A cor do pavilhão é a cor do nosso coração!” 

    Apesar de bater cartão de segunda a domingo, 8 horas por dia e todos os dias da semana, não perde um jogo do Mequinha. Seja em Volta Redonda, Friburgo, Sampaio Correa... Para estar presente nesses jogos, dizem que a desculpa é de que um familiar morreu, e que só a sua mãe, ele já ‘matou’ 5 vezes.

    Se um dia você quiser identificar o Sidão no meio da torcida, não será difícil. É óbvio que terá de ir a um jogo do América ou entrar no site do clube para ver o vídeo dos melhores momentos dos jogos, já que não passa nada do Mequinha nas emissoras abertas e fechadas. Sidão tem dois metros de altura, pesa 130 quilos. Além disso, como a sua camisa XGG mal lhe cabe, o umbigo estufado está à mostra, e sua garganta, que emite uma voz de trovão, está o tempo todo esgoelando o grito de guerra do time: “Sangue! Sangue!”  

    Outro dia, o Sidão chegou no bar animadíssimo.  “Agora ninguém vai nos segurar! O Romário agora é nosso presidente!”, disse alto e em bom som.

    “Ora! Se o Romário não joga mais, e vive em Brasília como senador, que milagre ele vai fazer?” E como a pergunta partiu de todo mundo, a sua contrariedade foi tanta, que ele não só quebrou a tulipa de chope com os dentes, como expulsou todos nós, com o olhar mais rubro do que a cor da sua camisa.

    Entretanto, como Sidão quis fazer as pazes, dias depois ele chegou ao bar com diversas entradas para a decisão da terceira divisão. Jogo que, se o Mequinha se sagrasse campeão, subiria para a segunda divisão.

    “Quero que todos vão comigo! E até já aluguei duas vans para nos levar ao jogo! Ah! E ai de quem não for!”

    Como todos gostamos de futebol e do Sidão – e o Mequinha é o nosso segundo clube -, no dia e hora marcados, estávamos todos no bar, o ponto de encontro.

    Claro que ficamos surpresos, quando ele disse que o jogo seria no Maracanã. E ficamos mais surpresos ainda, quando chegamos no estádio, e vimos a multidão por toda parte. Digna de um Vasco x Flamengo.

    “Viram só? Essa é a nossa torcida! Ela só andava escondida porque andávamos por baixo! Foi só o Romário ser eleito nosso presidente e agente estar numa decisão, que estamos mostrando a nossa pujança!”, ele disse com um sorriso, enquanto que a orelha da direita dava volta pela nuca e se encontrava com a esquerda.

    Subimos então a rampa, comungando com a sua felicidade. Mas qual não foi a nossa cara, quando, após o hino nacional, em vez de entrarem em campo o árbitro, os bandeirinhas e o time, entrou um pastor.

    “Clama, gente!” ele disse. “É que nosso clube, como instituição social e democrática, também fará sua manifestação contra os preconceitos e discriminações.”

    Mas quando o pastor passou a agradecer os seus fiéis e a dar início ao culto, a ficha dele caiu. É que não tinha sido ele, mas a esposa que havia comprado as entradas. E como, há muito anos, tentava fazer com que ele se convertesse à sua religião...

    Ainda bem que, jogando a 100 quilômetros de distância, o Mequinha venceu e subiu para a segunda divisão. Caso contrário, nós não chegaríamos de volta, nem ela estaria viva.

O LEÃO


                Fiz o famigerado Imposto de Renda. Esse tal de Leão que, coitadinho, não tem nada a ver com a mordida da Fazenda. Comparado com ela, é um gatinho. O certo seria a mordida do crocodilo, que, apesar de chegar aos inacreditáveis 2,267 Kg de força, é aquele que mais se aproxima desse Leão.

                Como gosto de viver perigosamente — nome mais adequado para quem está aposentado, gasta quase tudo em remédios e ainda é descontado pela Previdência —, resolvi sonegar. Isso mesmo! Após fazer questão de pegar recibo até de pedicure, e fazer várias simulações — sozinho e fazendo a declaração conjunta com a minha mulher —, e chegar à conclusão que estaria ferrado do mesmo jeito, finalmente resolvi bancar o Harison Ford, e, numa de suas maiores emoções como Indiana Jones, enviei a declaração.

                Mas, como diz o velho ditado “Quem tem... tem medo”, rezei 10 Pai Nosso, 20 Ave Maria e pedi a todos os orixás que me livrassem da malha fina.

                Embora não tivesse direito a nenhuma devolução, o fato de ter de pagar somente o equivalente a 5 caixas de anti-hipertensivo, 3 caixas de diurético, 8 caixas para hiperglicemia, 1 caixa para hiperplasia da próstata e uma caixa de Rivotril, foi motivo para estar feliz da vida e comemorar.

               

                Eu havia acabado de deixar o bar, quando ouvi o bicheiro dizer que tinha dado leão na cabeça. Seria um sinal? Tolice minha, pensei em seguida. Com tantos milhões de brasileiros sonegando, logo eu, um professor aposentado, cairia na malha fina? Mas confesso que tomei um Rivotril.

                Mais tarde, lendo o jornal, minha mulher, que nunca me pede o segundo caderno, disse que queria ver o horóscopo. Seria um novo sinal? Claro que não! Coincidência na certa. Mas, preventivamente, tomei outro Rivotril. Ela é leonina.

                Mas, como não existe nada melhor do que um dia após o outro, hoje acordei otimista. Saí para dar aquela corridinha matinal, tomei aquela cervejinha com os amigos e, mesmo tendo almoçado como um leão, como disse minha mulher, nada me incomodou. Porém, quando despertei do cochilo da tarde, não tive dúvidas: não tomei um, mas dois Rivotril, e corri para o computador a fim de retificar a declaração. Tinha sonhado com alguém que, toda vez que isso acontecia, jogava na cobra, mas dava sempre leão. A minha sogra

INFLUÊNCIAS LITERÁRIAS

            Na ordem de preferência, os meus gêneros literários que curto escrever são a literatura infantojuvenil, o romance, o humor e a poesia. Para a leitura, o romance e a literatura infantojuvenil são os prediletos.

         Comecei escrevendo poesias por volta dos meus 14 anos, quando me apaixonei pela primeira vez. Versos com rima, principalmente. Cheguei a encher tantas gavetas, que acabaram se transformando no meu primeiro livro, Adolescência Romântica. Nessa época, já ligado em poesia, encontrei nos sonetos de J.G. de Araujo Jorge o melhor estilo para dar voz ao coração.

Aos 17 anos, após meu verdadeiro encontro com Cristo e me envolvendo com o movimento católico do JAM - Juventude de Ação Mariana -, escrevi e publiquei Ele Também Era Cabeludo. Claro que, dessa vez, a inspiração foi Jesus Cristo, mas a influência foi daquele que viria se tornar uma espécie de “guru literário”: o Poetinha Vinícius de Moraes.

            Eu estava no primeiro ano da faculdade de Ciências Biológicas, com 18 anos, quando, no meio de uma aula de ecologia em que já se falava dos terríveis desmatamentos e queimadas da Amazônia, fui abalroado pela ansiedade de fazer alguma coisa pelo meio ambiente. Mas para crianças. Lembro que, então, me refugiei durante as férias de verão no sítio dos meus avós, em Sepetiba, e com a Olivetti, que havia ganhado de meu avô, escrevi e ilustrei Menino Natureza. Não foi nenhum sucesso de vendas, mas com o elogio que recebeu da crítica, que o apelidou de ‘O Pequeno Príncipe de um País Tropical’, e por ser apresentado pela Paula Saldanha no Globinho, um telejornal infantojuvenil da TV Globo, foi o bestseller para mim.

        Não só ele, mas todos que vieram depois, como Um Carro Muito Especial, A Casa-Bem-Assombrada, A Ciência do Amor... tiveram, e continuará tendo a influência literária de dois grandes escritores: para a faixa etária infantojuvenil, Homero Homem (autor de Menino de Asas; Cabra das Rocas); e para adolescentes, José Mauro de Vasconcelos (autor de O Meu Pé de Laranja Lima; Rosinha, Minha Canoa; Coração de Vidro; As Confissões de Frei Abóbora).

        Ultimamente, os romances têm me absorvido mais. Principalmente aqueles que envolvem o suspense. Sempre gostei do estilo macabro de Edgar Allan Poe (O Corvo; Nunca Aposte a sua Cabeça com o Diabo); da investigação de Dan Brown (O Código da Vinci; Inferno), mas me curvo para a forma e o estilo de Sidney Sheldon (O Reverso da Medalha; O Outro lado da Meia-Noite; Nada Dura Para Sempre; Uma Manhã de Vingança; A Outra Face). Alguém que, quanto mais leio, mais admiro e mais, se assim posso dizer, copio. Para quem já conhece suas obras e, por acaso, há de ler O Código Genérico, Amor Acima de Qualquer Suspeita, Amor e Morte em Tempo de Pandemia e Onde Acaba o Infinito — esses dois últimos a serem lançados nos próximos meses pelas editoras Ópera e Caravana, respectivamente, agora saberá que não é mera coincidência. 

Serviço de Utilidade Pública

 

                Durante a epidemia da Covid, assim que recebi não sei de quem, mas passei a tomar as cervejas de verdade, que constavam da tabela abaixo, mostrei ao garçom e pedi qualquer uma delas.

                   


Fui surpreendido pelo garçom, que me perguntou:

— Desculpe, senhor, mas... E a Corona?

E como eu já tinha decorado essa tabela, não tive dúvidas em responder:

— A Corona?! Ora, ela que se foda porque eu já me vacinei 4 vezes contra ela!

COINCIDÊNCIA OU CASTIGO

             Por Deus, que esta história não tem nada a ver comigo! É apenas uma história — cômica para não dizer que foi trágica —, e que se deu com um amigo. Podem acreditar!

Ah! Que fique bem claro também: os nomes das personagens são fictícios!

 

COINCIDÊNCIA OU CASTIGO

                Lauro, um tipo de sujeito que não vê mais atualmente — trabalhador, educado, religioso e cumpridor de todos os seus deveres, financeiros e sexuais, como marido —, acabou caindo na tentação do diabo, ou melhor, da sua secretária (tem sempre de ser uma secretária), e a tornou sua amante.

                Vanda é uma esposa super dedicada, apaixonada e fiel, que nos 10 anos de casada com Lauro é incrível: jamais esquece de festejar datas que eles têm em comum, esperando por ele com a mesma música “Emoções”, do Roberto Carlos, e jantar à luz de velas, cujo cardápio é sempre o mesmo.

                Em razão dos seus encontros semanais com sua amante, Lauro, claro, arranjou uma desculpa para chegar tarde às sextas-feiras: uma estúpida reunião com seu chefe após o expediente.

                Fazia 3 meses em que Vanda jamais percebeu algo de errado. Pelo contrário, quando Lauro chegava à casa tarde da noite, ela já estava dormindo.

                Era uma daquelas sextas-feiras. Antes mesmo do expediente acabar, Lauro já não se aguentava mais. E isso é realmente verdade que, antes mesmo de terminar o expediente e, juntamente com a secretária rumarem para o apartamento dela, chegou a regar o teto do banheiro com o seu mijo.

                Foi mais uma daquelas noites infernais. Daquelas que sequer dava tempo de chegar ao quarto dela. Feito pasta de dente, seu tubo de creme dental já ficava pelo tapete da sala mesmo. Além disso, como era trivial depois do amor, a macarronada que ela lhe preparava, com o vinho suave, que detestava, mas bebia para agradar Vanda desde sempre, não sobrou nada. Nadinha de nada!

               

                Tranquilo, ele chegou à casa. Sabendo que Vanda estaria dormindo, nem precisou entrar pé ante pé. Mas qual não foi a sua surpresa, quando, ao dar a primeira pisada no seu lar doce lar, escutou Emoções e avistou sobre a mesa uma bela macarronada e uma garrafa de Moscatel.

             Putz! Era data de comemoração do seu casamento.

Resumo da ópera: Lauro não conseguiu comer as duas, como sempre, somente toda a macarronada e beber o vinho.

Que noite! E que madrugada no Hospital Souza Aguiar.                  

 

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...