BURNOUT

Esta semana recebi um dos meus filhos, que mora em São Paulo, para passar uns dias em casa.

Feliz por recebê-lo, mas infelizmente não por motivo de férias ou feriadão, e sim, pelos dias  que recebeu de licença por conta do burnout.

Esta experiência eu já havia passado com o outro gêmeo, que, há 2 anos, sofreu esse mesmo  problema nervoso, causado por trabalho excessivo. Sem falar nas 2 filhas mais velhas, que, se não foram acometidas desse mal, estiveram à beira dele.

Uma pergunta me veio à mente: será que aqueles longos estresses que senti, quando vivia sob pressão, corrigindo provas, lançando notas, criando projetos pedagógicos e fazendo inúmeras avaliações eram burnout ou simplesmente estresses?

Sei que isso não é coincidência nem menos genético. Principalmente, quando tomo conhecimento de que meu vizinho está diagnosticado com burnout; que um amigo está com burnout; que fulano e ciclano estão com burnout; que um canal de TV vai fazer uma série de reportagens sobre burnout, enfim, que até de tanto ouvir e ler sobre burnout posso ter burnout.

Brincadeira à parte, lendo e me informando, sei que burnout não se trata simplesmente de burnout, o qual se resolve com um Rivotril. É algo que me faz ter a certeza de que aquilo que senti foi simplesmente um minúsculo problema diante desse tal de burnout.

Não! Não foi a pandemia a responsável por seu aparecimento. Isso já vinha acontecendo há muito tempo. Foram os gulosos empresários desse mundo capitalista selvagem os culpados. Sim, porque, contratando principalmente jovens que buscam estabilidade profissional e realização financeira, sujeita-se a trabalhar 16 horas por dia ou mais. E como patrão não tem coração, são práticos quando seu funcionário entra em parafuso. Como o mercado está cheio de jovens buscando essas conquistas, troquem-nos como trocam as suas cuecas diariamente.

Burnout é algo muito sério, que precisa ser tratado mundialmente, como as guerras na Ucrânia e em Israel.

Que nossos políticos, pelo menos aqui, olhem para isso com muito colírio nos olhos.

Eu ainda teria muito para falar a respeito, mas, como nesse momento, preciso saber do meu filho como foi a sua sessão com a psicóloga...


LEI ROUANET

                 Será que juntando tudo isso – familiares, amigos, alunos, colegas -, é o suficiente para ser famoso e não ter meu projeto literário aprovado pela Lei Rouanet?

                Explico: ciente de que essa Lei é clara, quando diz que as verbas são para autores de projetos culturais e artísticos, que não são famosos, tive a pretensão de passar dias e noites bolando um projeto que estimulasse a leitura às crianças do ensino fundamental I das escolas públicas do Rio de Janeiro.

                Resumindo: o projeto teria a duração de um ano, abrangendo 100 escolas públicas, onde 2 livros de minha autoria, mais a minha presença em cada uma delas para conversar e autografar os livros da garotada, assim como a presença de uma contadora de histórias, pleiteavam o custo por aluno de 2,00. Diga-se de passagem, esse valor não é pago pelo governo, mas captado de empresas, as quais podem descontar no Imposto de Renda parte do seu investimento.

                Mas qual não foi a minha surpresa, quando soube que o projeto tinha sido indeferido, com a alegação de que não se tratava de cunho cultural e, sim, educacional. Mas o pior foi quando, dias depois, vi que shows de certos cantores e montagem de peças de certos atores – que certamente são “desconhecidos” -, tinham sido aprovados. E tem mais: qual não foi a minha maior surpresa, quando solicitei a devolução das cartas de anuência das secretarias municipais de educação, aderindo ao projeto, e recebi a resposta de que as mesmas haviam sido extraviadas.

                Entendem agora por que sempre digo que sou um lambari lutando contra enormes tubarões?

                Para vários artistas, a lei pode, de fato, ser chamada de Rouanet, mas para mim, só tenho a dizer: “Rua Neles!”

 


RESPOSTAS DE UM CORAÇÃO LITERÁRIO


Nas minhas andanças pelas escolas, quando, que nem um pinto do lixo, vou feliz da vida conversar com os jovens e autografar seus livros, tenho recebido cada pergunta, que, às vezes, me surpreendo.

Outro dia, um deles me perguntou por que escrevo e publico tanto, se no nosso país não existe o hábito de ler, já que ler é uma droga.

Então, eu disse:

— Simples assim: escrevo porque amo, e quando fazemos aquilo que amamos, somos felizes. Por isso que, mesmo sabendo que para muita gente ler é uma droga, prefiro ficar com a minha droga do que com aquela de muita gente, que não suporta ler nem sabe o mal que está fazendo à sua vida.

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“Hoje terminei um best-seller”, disse durante uma palestra.

“Como assim, se não sabe se alguém vai comprá-lo?”, perguntou-me um deles.

— Simples assim: o meu best-seller não está na quantidade de livros que serão vendidos, nem tampouco no dinheiro de autorais que poderei ganhar. Basta que um único leitor gaste algumas horas de leitura, curtindo o que escrevi, que valerão muito mais do que os dias e as noites que passei o escrevendo. Isso, não tem dinheiro que pague.

 

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Mas teve um jovem que me fez uma pergunta super legal:

“Cara, e se você não tiver mais inspiração? Já pensou nisso? O que vai acontecer?”

Dessa vez, não foi simples assim, mas não demorei a lhe dar a resposta:

— Acho que isso jamais vai acontecer. Primeiro porque Deus, que me deu esse dom, não vai me abandonar. Segundo porque tenho inúmeros projetos de vários livros guardados, que tive com inspiração, e poderei concluí-los. E terceiro porque, se isso realmente acontecer, será sinal de que terei cumprido a minha missão, aqui na Terra, e estará na hora de passar a escrever lá no céu.

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...