A DISLALIA

Dois amigos se encontram e se cumprimentam:
                - Bom dia, Sélio!
                - Bom dia, Tonho. Só que o meu nome não é Sélio, é Délio! Vê se não esquece!
                - É que eu tenho sislalia!
                - Sislalia?! Você não está querendo dizer dislalia?
                Dias depois, eles voltam a se encontrar, e, animadíssimo Tonho diz ao amigo:
                - Sélio, que tal a gente passar esta noite num prostíbulo?
                - Seria formidável, mas, infelizmente, eu não tenho nenhum tostão!
                - Isso não vai ser problema. Eu pago tudo!
                - Tudo?! Tudo mesmo?! Como assim, se você é tão duro quanto eu?
                - É que comecei a trabalhar numa empresa nova, e ganhei um cartão que dá direito a essas coisas.
                - Tem certeza?!
                - Tenho! E ele diz que eu posso “comer” qualquer coisa!
                - É mesmo?! E que cartão é esse, que eu nunca ouvi fala?
                - É “dosexo”
                - Tonho! – eis que Délio cai na gargalhada, e diz: – Essa sua dislalia vai acabar te matando. O cartão é um vale-refeição, e o nome correto dele é “Sodexo”.



O MELHOR AMIGO DO HOMEM

                Um dia caí na gargalhada, assim como muitos de vocês, quando o então Ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, durante o governo Collor, disse que “cachorro também é gente”. Hoje, porém, peço humildemente desculpas a ele, pois que santa ignorância a minha de não ter, naquela época, a capacidade de alcançar as suas sábias palavras.

                Desculpe, sim, porque somente agora, depois desse tempo todo, quando continuei me afrouxando de risos toda vez que alguém comentava essa “gafe”, aprendi que ainda bem que temos um animal para ser o nosso melhor amigo. Infelizmente. Sim, infelizmente, porque nós, animais racionais – é o que diz a Biologia -, é que deveríamos ser o melhor amigo de nosso semelhante.

                Desculpe, sim, ex-ministro, porque foi preciso conviver com “amigos” – e por que não falar familiares -, e conviver com um cão, chamado Darwin, um cãozinho de raça desconhecida - seria ultraje chamá-lo de vira-lata -, que me ensinou a compreender as palavras de Rogério Magri.

                Nossa! Aquela hora em que chegamos em casa e a sua cauda gira mais do que hélice de ventilador; que nos olha com ternura, “dizendo” palavras que nos confortam quando estamos aperreados; que sabe se deitar no nosso colo, dando ou pedindo um cafuné; que “fala” o quanto nos ama... Desculpe, ex-ministro.

                O cão nem me pertence – é do meu filho Igor. Não mora comigo, mas sinto saudade quando ele não pode trazê-lo para passar uma tarde comigo. E sei que não estou louco, quando, numa videochamada, faço questão de mexer com ele, olhar para ele... E quando lá do outro lado da linha, aquele “cara” levanta a orelha agradecendo...

                Assistindo aos noticiários das guerras da Ucrânia e de Israel; vendo o machismo dos homens assassinando mulheres porque não aceitam o final de seus relacionamentos; mães descartando seus bebês em banheiros de rodoviárias; bêbados atropelando pessoas... Mais me convenço de que preciso deixar um conselho – que talvez seja tão ironizado como aquilo que disse o Magri -: adotem um cão! Garanto que, dentro em breve, o mundo estará repleto de pessoas de bem, e, consequentemente, os cães terão concorrência sobre o melhor amigo do homem.

                Desculpe, Magri! Obrigado, Darwin!  

Que dia memorável!

 


Que local tão aprazível, que saí de lá com o coração e a alma renovados, nas alturas!

                Eu poderia, sim, estar me referindo a uma igreja, uma sinagoga, um culto, mas não. Estou me referindo a uma ESCOLA. Isso mesmo! ESCOLA com todas as letras maiúsculas, como todas as escolas do nosso país deveriam ser escritas.

                ESCOLA em que tive a honra de ser um dos convidados para abrir a sua Segunda Feira Literária. ESCOLA que me acolheu de braços e coração tão aberto quanto quentes, e que fez me sentir como se estivesse entrando na primeira escola como escritor, ou fosse o maior – talvez o único – escritor deste planeta. Ou seja, realizar o sonho de quando estou escrevendo meus livros, penso justamente no leitor, no aluno, no cidadão.

                Que manhã e tarde memoráveis, quando pude me dirigir a mais de uma centena de crianças e jovens alegres, motivados, respeitadores, e falar da importância da escrita e da leitura em suas vidas, não só contribuindo a sua formação cidadão, como – quem sabe -, plantando sementes para o nascimento de novos escritores.

                Na quadra de esportes, onde pude degustar dos maiores momentos de emoção, também pude constatar o trabalho pedagógico da escola. Algo que fez com que, nos meus 46 anos de magistério, ainda acredite na Educação como a maior ferramenta para um mundo melhor.

              ESCOLA, obrigado por dar e receber. Sim, receber porque também aprendi com a garotada,  através das suas ideias, sugestões, respostas, o quanto eu, um cara de 69 anos, posso aprender com essa petizada.

                Alunos, professores, funcionários, direção, muito obrigado pela acolhida.

                Ah! Esse templo de Educação tem nome e endereço: Centro Educacional Chambarelli

              Rua Paiva, 233 – Quintino – Rio de Janeiro.

A MORTE OU A VIDA ETERNA


         13 horas, final do último tempo na escola. Não foi uma, duas ou centenas de vezes que ouvi um aluno dizer: “Graças a Deus, mais um dia!” Mas eu, com bom humor, sempre retruquei: “Que bom pra você, porque, pra mim, é menos um dia!”

Na verdade, esse bom humor sempre teve um quê de verdade, pois confesso que nunca entendi ou digeri a morte. Talvez porque tenha perdido o meu avô materno – um homem que foi realmente pai duas vezes na minha vida – quando passava por momentos bastante turbulentos; talvez porque tenha perdido a minha avó materna, que tinha um ouvido magnífico para me ouvir e me entender; talvez porque perdi minha mãe quando mais precisava – uma redundância porque mãe a gente precisa a vida toda -, mas de uma forma estupidamente trágica; talvez porque tenha perdido meu irmão durante a missa dela de sétimo dia; talvez porque tenha perdido meu pai, que havia passado a ser o meu esteio, meses depois.

Esse efeito cascata de amargura não teria sido uma forma de Deus me dizer uma, duas, três vezes o que é a morte física, já que a vida deles ficará dentro de mim eternamente, ou melhor, até que eu partirei também? Será que não foram lições para eu ter a consciência de que a morte é a única certeza da vida, e devo estar preparada para ela?

Sou cristão. Mas apesar de tudo isso, continuo não entendendo ou digerindo essa passagem. Leio, vejo filmes sobre isso baseados nessa realidade, converso a respeito, ouço pessoas com grande espiritualidade, mas... continuo não compreendendo nem digerindo a morte. Quem sabe eu só consiga entendê-la depois que de morrer...

Eis aqui um homem de pouca fé!

É fim de noite. Logo, irei me deitar e orar para Deus, agradecendo por tudo o que me proporcionou hoje: meus filhos, minha esposa, a comida, a saúde... Mas... No fundo, no fundo, ainda direi a mim mesmo: “Menos um dia!”

Se você tem algo que possa me ajudar, interaja comigo, escreva alguma mensagem e deixe nos  comentários.

Amém!

OS PRAZERES DA MINHA VIDA

                 Você deve estar pensando que, na minha lista de prazeres, vai encontrar de supetão: cervejinha, futebol e mulheres. Claro que não precisa ser nesta ordem.

                OK! Tratando-se de pertencer ao gênero masculino, cabe a pergunta: realmente, quem não gosta de uma cerva bem gelada? Quem não gosta de um jogo da Champions League? Quem não gosta de um bom motel?

                Hoje, aos 69 anos, querendo confirmar que esses são os grandes prazeres de um homem, resolvi fazer um retrospecto da minha vida:

Quando adolescente, adorava namorar e ver futebol.

              Quando adulto, adorava namorar, ver futebol e tomar cerveja.

                Agora, eu adoro ver futebol e tomar cerveja.


SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...