PROCURO UM OUVIDO AMIGO

 


Procuro um ouvido amigo. Desculpem a minha frustração, mas hoje preciso me desabafar. Seja como pai, amigo, cidadão, ser humano e mais alguma coisa que possa ser inseridao no que vou dizer.

Escrevo desde os meus 15 anos, quando publiquei o meu primeiro livro. Naquela época, tinha uma pessoa muito especial que me incentivava — minha mãe. E lembro que ela, com a maior paciência, ouvia as minhas poesias, os meus contos, as histórias que desejava contar para todo mundo, sem jamais dizer que tinha de lavar a roupa, fazer a comida, atender meu pai.

Dona Luiza! Era ela que me incentivava a cada palavra, cada vírgula, cada ponto final. Era ela que se tornou a maior mola propulsora de agora estar aqui escrevendo para você que, quem sabe, nem conheço. Aliás, muito obrigado por isso.

Quando digo que procuro um ouvido amigo, não é um amigo que nos deixa alugar sabiamente  o seu ouvido, mas aquele que gostaria de ouvir os meus livros, aquilo que escrevo, que me faz sentir útil ao mundo, o que toma a maioria dos momentos em que estou acordado.

Esse amigo, aquele que ouve os meus desabafos, até que tenho dois ou três e agradeço muito por tê-lo. Refiro-me aos amigos que, por estarem próximos de mim, nunca têm tempo para ler ou mesmo ouvir aquilo que tanto gostaria que me falassem: da sua opinião, da sua crítica e se valeu a pena o tempo que não me dediquei a eles, para fazer uma das coisas que mais amo – além deles, é claro: a minha família.

Num outro blog, falei que tinha pessoas que, antes de publicar um livro, levava a elas os meus originais para saber de suas opiniões. Ainda as tenho. Mas não é o mesmo, pois daria a minha vida para que eles soubessem o quanto gostaria que os meus primeiros leitores fossem eles.  

Claro que Deus é o primeiro que me ouve, quando escrevo e leio em voz alta, apesar de saber que não é preciso fazer para me ouvir, mas...

E o pior de tudo é saber que também não lerão esse meu desabafo!   

 

QUE PAÍS É ESTE?

 


Quem não conhece esta música?

Escrita por Renato Russo, um dos maiores roqueiros de ontem, hoje, amanhã e sempre, em 1978, e lançada somente, em 1987 pela Legião Urbana, acreditem que hoje – somente hoje — parei para refletir sua letra:

Será que nNesses 46 anos eu me encontrava em coma, ou a vida me comia a ponto de não perceber o quanto ela queria me dizer?

Russo era somente um sobrenome ou, com uma visão muito acima da minha geração, queria, driblando a censura, me alertar que tudo já estava ruço?

Esta letra era somente uma bronca da ditadura, ou uma previsão de que, hoje, a “dita” continua dura?

Sim, porque...

Se para sobreviver, naquela época, eu vendia o almoço para comprar o jantar, achando que valia a pena, imagina agora ter de vender o jantar para comprar o almoço!

Se jogar no bicho tinha de ser escondido porque era crime, imagina agora poder apostar em sites legalizados pelo governo, os quais compram jogadores profissionais para dar resultados em benefício próprio!

Se acreditava que o país tinha virado realmente laico, imagina agora ver que ele não passa de um lacaio!

Se achava que confiar na Fundação Progresso era uma boa, imagina agora saber que ela não passa de uma fudeção!

Se a gente tinha a certeza de que poderia abrir a boca quando quisesse, imagina agora que só podemos fazer isso para um dentista!

Se a gente lutasse pela democracia, imagina agora saber que estamos sob o domínio de um demo do “Só Te Fodemos”!

E se garantiam que eu teria a liberdade para escrever, imagina como me sinto agora correndo o risco de ser mais um bloqueado?    

  

 

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...