SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo, na lembrança das épocas e dos momentos de felicidade que se compararmos aos dias de hoje... Não tem nem comparação!

Eu sou do tempo que me trancava horas no banheiro, com a Play Boy; hoje, não levo 5 minutos no chuveiro e ainda fico trancado!

Eu sou do tempo, que vivia de braço dado com uma bela mulher; hoje, só vivo carregando nos braços os meus exames de sangue, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias!

Eu sou do tempo em que rapazes iam à pizzaria para comer um brotinho; hoje, em qualquer lugar, tem rapazes que se reúnem para estuprar um brotinho!

Eu sou do tempo em que a gente apostava para qual clube os jogadores eram vendidos; hoje só se fala de jogadores que se vendem em sites de apostas!

Eu sou do tempo em que o estimulante sexual era a própria mulher; hoje toma-se Viagra até para fazer sexo com boneco!

Eu sou do tempo em que falar ou ouvir no pé do ouvido “Eu te amo” era a coisa mais linda do mundo; hoje não se sabe nem o que é o amor! 

PROCURO UM OUVIDO AMIGO

 


Procuro um ouvido amigo. Desculpem a minha frustração, mas hoje preciso me desabafar. Seja como pai, amigo, cidadão, ser humano e mais alguma coisa que possa ser inseridao no que vou dizer.

Escrevo desde os meus 15 anos, quando publiquei o meu primeiro livro. Naquela época, tinha uma pessoa muito especial que me incentivava — minha mãe. E lembro que ela, com a maior paciência, ouvia as minhas poesias, os meus contos, as histórias que desejava contar para todo mundo, sem jamais dizer que tinha de lavar a roupa, fazer a comida, atender meu pai.

Dona Luiza! Era ela que me incentivava a cada palavra, cada vírgula, cada ponto final. Era ela que se tornou a maior mola propulsora de agora estar aqui escrevendo para você que, quem sabe, nem conheço. Aliás, muito obrigado por isso.

Quando digo que procuro um ouvido amigo, não é um amigo que nos deixa alugar sabiamente  o seu ouvido, mas aquele que gostaria de ouvir os meus livros, aquilo que escrevo, que me faz sentir útil ao mundo, o que toma a maioria dos momentos em que estou acordado.

Esse amigo, aquele que ouve os meus desabafos, até que tenho dois ou três e agradeço muito por tê-lo. Refiro-me aos amigos que, por estarem próximos de mim, nunca têm tempo para ler ou mesmo ouvir aquilo que tanto gostaria que me falassem: da sua opinião, da sua crítica e se valeu a pena o tempo que não me dediquei a eles, para fazer uma das coisas que mais amo – além deles, é claro: a minha família.

Num outro blog, falei que tinha pessoas que, antes de publicar um livro, levava a elas os meus originais para saber de suas opiniões. Ainda as tenho. Mas não é o mesmo, pois daria a minha vida para que eles soubessem o quanto gostaria que os meus primeiros leitores fossem eles.  

Claro que Deus é o primeiro que me ouve, quando escrevo e leio em voz alta, apesar de saber que não é preciso fazer para me ouvir, mas...

E o pior de tudo é saber que também não lerão esse meu desabafo!   

 

QUE PAÍS É ESTE?

 


Quem não conhece esta música?

Escrita por Renato Russo, um dos maiores roqueiros de ontem, hoje, amanhã e sempre, em 1978, e lançada somente, em 1987 pela Legião Urbana, acreditem que hoje – somente hoje — parei para refletir sua letra:

Será que nNesses 46 anos eu me encontrava em coma, ou a vida me comia a ponto de não perceber o quanto ela queria me dizer?

Russo era somente um sobrenome ou, com uma visão muito acima da minha geração, queria, driblando a censura, me alertar que tudo já estava ruço?

Esta letra era somente uma bronca da ditadura, ou uma previsão de que, hoje, a “dita” continua dura?

Sim, porque...

Se para sobreviver, naquela época, eu vendia o almoço para comprar o jantar, achando que valia a pena, imagina agora ter de vender o jantar para comprar o almoço!

Se jogar no bicho tinha de ser escondido porque era crime, imagina agora poder apostar em sites legalizados pelo governo, os quais compram jogadores profissionais para dar resultados em benefício próprio!

Se acreditava que o país tinha virado realmente laico, imagina agora ver que ele não passa de um lacaio!

Se achava que confiar na Fundação Progresso era uma boa, imagina agora saber que ela não passa de uma fudeção!

Se a gente tinha a certeza de que poderia abrir a boca quando quisesse, imagina agora que só podemos fazer isso para um dentista!

Se a gente lutasse pela democracia, imagina agora saber que estamos sob o domínio de um demo do “Só Te Fodemos”!

E se garantiam que eu teria a liberdade para escrever, imagina como me sinto agora correndo o risco de ser mais um bloqueado?    

  

 

PIETRA

 


Passo passo por passo pela Passos.

Procuro perfume para Pietra.

Pura paixão.

 

Pietra...

Pequena, polida, peituda, pelada...

Perfeita. Preenche-me plenamente.

 

Perdê-la pode parecer piegas,

Porém, pasmem, prefiro perder-me, porque

Pietra permite, prioritariamente, pertencê-la,

Propriedade pessoal.

 

Por pior pensamento, Pietra

Prima pela paz.   

 

Perto, Pietra prostitui-se.

Pronta para permitir prazer,

Promove posições, pedindo profunda penetração

Pelo pênis,

Pirando-me plenamente.

 

Pietra:

Porta principal para perdição!

Paraíso!

Puta particular!

Poderia presenteá-la

Pondo pérolas pelo pescoço,

Porém, prefiro por perfume pelo peito,

Pelos pêlos

Pelos pés:

Patchuli!

RECEITA PARA UMA RELAÇÃO PERFEITA


De dia somos civilizados

De noite somos dois depravados

 

De dia eu tomo Brahma

De noite você toma na cama

 

De dia você se rega de azeite

De noite eu te rego com leite

 

De dia te dou juras eternas

De noite tu me dás entre as pernas

 

De dia tu só comes no prato

De noite eu te como de quatro


 

De dia chupo do frango os ossos

De noite chupas até os caroços

 

De dia gozas da minha voz rouca

De noite gozo na tua boca

 

De dia nem te toco pra poupar

De noite me tocas até gozar

 

De dia você faz mamadeira

De noite te mamo a noite inteira

 

De dia somos bem sociáveis

De noite somos insaciáveis

 

MAGIA?

 

Sair do Rio e chegar aqui foi como transpor uma porta imaginária, onde, do lado de lá, o caos; do lado de cá, o paraíso. Foi como da água para o vinho; do jiló para o pudim de leite.

Isso mesmo! Trocar o céu iluminado de balas traçantes por um céu estrelado que embala os amantes, não tem preço. Permutar o olhar tenso dos cariocas pelo sorriso da paz de espírito com quem cruzo nas ruas vale a pena pagar qualquer coisa.

Estou, mais uma vez, encantado, porque até o canto dos pássaros é diferente. É canto em qualquer canto, não é choro nem lamento. Porque nas praias o arrastão é dos pescadores puxando as redes e não de marginais. Porque aquele que lhe estende a mão não tem uma arma para lhe assaltar, mas a palma dela para lhe cumprimentar.

Como fazia muito tempo que não vinha — luz, água, gás, desligados —, assim que pus os pés em casa, um vizinho logo bateu à minha porta, perguntando se precisava de alguma coisa; também não me surpreendi ao encontrar a minha vaga na garagem ocupada por algum oportunista. E bastaram 5 minutos, após um telefonema, e a Internet já estava à minha disposição.

Os preços dos hortifrutigranjeiros são muito mais em conta. Por aqui, tem muita colônia e pequenos agricultores. Massas, farináceos e embutidos, também, porque há micro e médias empresas da região, que competem na qualidade e nos preços com os tradicionais líderes de mercado. As queijarias, idem. Os vinhos e aguardentes, nem se fala. E para quem gosta, tem cervejas artesanais de excelentes qualidades.

Por conta de compromissos no Rio, ainda não me estabeleci definitivamente por aqui. Por isso, moro com um pé lá e outro cá, nos 6 últimos anos. E acreditem: mesmo procurando conhecer os belos lugares, ainda não cheguei nem na metade. Estou me referindo somente à cidade.

Quanto à inspiração que tenho aqui... Bem, isso fica para outra ocasião.

Espero que tenha contribuído para que, na sua próxima viagem de férias, escolha esta bela e encantadora cidade. Ou seja, a Ilha da Magia, Florianópolis – SC.

UMA ESCOLA DE MULHER

 

Ela não é a Matemática, mas resolve os meus problemas!

Ela não é a Filosofia, mas me fez compreender Pascal quando disse que o coração tem razões que a própria razão desconhece.

Ela não é a História, mas tem idade média e faz da minha vida o descobrimento da felicidade.

Ela não é a Geografia, mas me faz conhecer cada ponto cardeal do seu corpo.

Ela não é o Inglês nem o Espanhol, mas do jeito que conheço a sua língua eu me sinto um poliglota.

Ela não é a Química, mas me atrai como um próton pelo elétron.

Ela não é a Educação Física, mas faz com que eu faça qualquer posição que pede ao meu corpo.

Ela não é a Biologia, mas só tira nota 10 em anatomia e fisiologia quando estamos na cama.

Ela não é a Física, mas quando fazemos amor ocupa o mesmo lugar no espaço que eu.

Ela não é o Português, mas é o sinônimo de amor; um grande adjetivo para o meu coração; e, enquanto sou o seu sujeito, ela é o meu predicado.



MOVIMENTO BRASILEIRO DE ALFABATIZAÇÃO

  


É bem possível que muitas pessoas não se lembrem do MOBRAL — Movimento Brasileiro de Alfabetização — que, entre 1967-1985, foi instaurado na conjuntura da Ditadura Civil-Militar como a solução do grande problema do analfabetismo.

Pois bem, a história é a seguinte...

Cerro professor, no seu primeiro de aula, perguntou aos alunos o porquê de terem se inscrito naquele movimento. Claro que a resposta era óbvia, porém, gostaria de saber de cada um suas especificidades.

Após inúmeros deles responderem, seu João lhe chamou a atenção:

“Depois que consegui um emprego de carteira assinada e, na hora de assinar o contrato de trabalho, tive de colocar um X no lugar da minha assinatura porque não sabia ler nem escrever, jurei que no lugar de um X jamais deixaria de assinar o meu nome!”

Seu João era um aluno fantástico. Não faltava às aulas; fazia todos os exercícios propostos; tirava inúmeras dúvidas; enfim, tornou-se, além de aluno excepcional, o exemplo de que o projeto era marcante, excelente, espetacular.

Finalmente, com honras, ele recebeu o seu diploma de alfabetizado. E a primeira coisa que fez foi inscrever-se num concurso do Estado, que exigia formação de primeiro grau.

No dia e hora marcados, lá estava ele. Não só ele, motivado pela aprovação, como seus professores. Mas qual não foi a surpresa de todos, quando saiu o resultado e ele havia sido eliminado.

Resumo da ópera: “Coloque um X na opção correta”, dizia cada questão antes de seu enunciado. E uma vez que ele havia jurado que, no lugar de um X assinaria o seu nome...

Será que analfabetismo é somente não saber ler e escrever?

Como nunca levaram em consideração um exemplo como esse, continuamos a ser um país cuja grande porcentagem da sua população é analfabeta!

ESTOU MORRENDO...

 

Estou morrendo... de medo por estar vivo.

Eu sou um cara vivo, mas estou morrendo de medo.

Apesar dos muros erguidos até o céu, as câmeras de segurança e a cerca elétrica, morro de medo do morro que me cerca.

De que adianta ser uma pessoa honesta, correta, justa, se de nada vale isso tudo, se estou condenado à prisão domiciliar?

De que adianta pagar caro por um plano de saúde para não morrer, a Deus dará, se o diabo é meu vizinho?

De que adianta seguir a orientação do cardiologista para caminhar todos os dias, se não posso sair à rua? O que eu preciso é de um anti-hipertensivo para tratar do medo que me faz viver tenso o tempo todo. O que eu preciso, é de um antidiurético, porque vivo urinando nas calças. O que eu preciso também, é que me receite Imosec porque ando me borrando todo.

Esta não é a saga de um velho que passou a ter medo da vida. Pelo contrário, esta é a saga de alguém que tem medo da morte.

Vivo numa cidade que, não sei o porquê, ainda chamam de maravilhosa. Chamam certamente porque não sabem que o céu não é mais azul de brigadeiro, mas negro de artilheiros; porque o som que se ouvia em cada canto não é mais o samba, mas o barulho de fuzis e metralhadoras; porque não existe mais a hospitalidade e a irreverência do carioca, mas a maldade e a indecência do paralelo.

Numa cidade em que a polícia tem medo de bandido; os pontos turísticos viraram bocas de fumo; e o governo está desgovernado, tenho medo de, apesar de ser um ser vivido, estar vivo porque esta feliz Cidade Maravilhosa foi transformada em infeli-Cidade Má e Horrorosa!



DIA DOS NAMORADOS


“O amor é eterno, os amores é que passam!”

    Acredito nisso porque essa máxima retrata o maravilhoso sentimento que vivi com todas as mulheres que, além de passarem por mim, deixaram marcas na minha vida.


                                                                              

“Jurei amar-te com amor bem puro,

Jurei e juro e morrerei jurando,

Se para amar-te for a minha a morte,

Eu juro a sorte de morrer te amando.”

 


    De uma forma ou de outra, eu disse isso a todas elas. Mas não foi da boca pra fora. Disse sinceramente porque era o que sentia, vivia intensamente, era exatamente aquilo o que meu coração vivia nessas relações. Ou seja, como disse sabiamente o Poetinha, Vinicius de Moares, “O amor é eterno enquanto dura.”

 

    Se ficou mágoa, tristeza, ódio, desculpem-me. Acho que não tenho culpa de meus sentimentos não estarem à altura de qualquer uma de vocês. 

 

    Sendo assim, desejo que tenham encontrado sua cara metade e que nesse Dia dos Namorados, não pensem em mim, mas estejam abrindo um vinho e brindando com o seus parceiro da mesma forma que estarei com a minha atual mulher.

 

 

 

 

 

Sei que muitas das mulheres que passaram em minha vida


AS NOVAS “EDITORAS”

 


            Eu não acredito que Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Jorge Amado e Paulo Coelho, dentre tantos grandes escritores, passaram às mãos de leitores beta e/ou leitores críticos seus originais antes de os enviarem para as editoras.

            Talvez você diga que, por serem escritores fora de série, nunca precisaram desses recursos para terem suas obras aprovadas. Quem sabe me diga também que isso ocorre hoje em dia em razão do aperfeiçoamento das editoras, a fim de levarem até o leitor livros de excelente qualidade literária.

            Desculpem, mas discordo plenamente. O que aconteceu nos últimos anos, foi, com o crescimento assustador de escritores que desejam publicar a sua primeira obra, o surgimento de pequenas empresas procurando se aproveitar deles. É a indústria literária.

            Lembro que, sem a menor pretensão de ser um Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Jorge Amado ou Paulo Coelho, quando publiquei os meus primeiros livros, era assim: enviava para as editoras os originais, elas liam, e, depois de certos dias, enviava uma resposta: sim ou não! Simples assim. Caso desejassem publicar, ela fazia a revisão gramatical; diagramação; capa; registros; ficando para o autor a incumbência, caso desejasse, de convidar alguém para fazer o prefácio. Sem que ele tivesse de gastar um único tostão.

            Hoje, as grandes editoras — pouquíssimas — continuam a usar do mesmo expediente. Porém, aproveitando-se dos sonhos desses novos autores, como mencionei, surgiram cursos sobre narrativa; leitores beta para lerem e sugerirem alterações no texto; revisores; diagramadores; capistas e ilustradores (sem falar nos registros, como o ISBN e ficha catalográfica), cujos valores — sem falar no número de exemplares a serem editados — são exorbitantes. É o que chamam de publicação compartilhada. É claro que muitas ainda oferecem desconto especial para o autor. Ou seja, dá uma “promoção” para que ele compre o livro de sua própria autoria, o qual ele mesmo pagou para publicar.

            Pois é. Como nos tempos da vovó, sempre que termino de escrever um livro, tiro cópias e passo às mãos de pessoas que gostam de ler, a fim de criticá-los. Eles se distraem, não pago nada por isso, e ainda aceito os seus conselhos.

Foi por isso que, em 2012, resolvi criar a LF Editora, mas com a intenção de publicar somente os meus livros. Ainda faço isso até hoje, porém, vendo cada dia essa indústria literária crescer cada vez mais, passei a colaborar gratuitamente com aqueles que desejam publicar a sua primeira obra independentemente (a preços justos, já que mostro o mesmo caminho que percorro para publicar meus livros), ou como deve proceder para entregar os seus originais devidamente a uma editora tradicional.         

            Ganhar dinheiro às custas dos sonhos dos outros é deplorável!

           

FALTA DE EDUCAÇÃO

 


 

Trabalhei muitos anos numa escola, cujo porteiro da manhã já trabalhava lá quando comecei. Como sempre fui de madrugar, era normalmente o primeiro a quem ele abria o portão. E a essa hora, como a merendeira já tinha feito o café, costumávamos jogar aquela conversa fora sobre futebol, violência, política...

Certa vez, o assunto foi a respeito do nosso alunado: o irreverente, o inibido, o namorador... Mas qual não foi a minha surpresa, quando lhe perguntei quem eram os mais educados.

“Educados?! Educados ou educado?”

Foi assustador saber que a escola tinha quase 400 alunos entre o Fundamental II e o Médio, e ele me acenou com um único aluno — isso mesmo — um único aluno educado. Aquele que o cumprimentava quando chegava à escola, quando saía, quando se dirigia a ele para perguntar alguma coisa...

Esta semana, enquanto regava as plantas dos jarros da minha calçada, constatei o que disse o porteiro naquele dia. Não passava das 7 horas, e, em razão de duas escolas próximas da minha casa, assim como um ponto de ônibus, passaram por mim inúmeras pessoas. E acreditem: as únicas que se dirigiram a mim para dar ou responder ao “bom dia” foram os idosos, como eu. Até mesmo aqueles que pareciam distraídos ao celular, me cumprimentaram ao se aproximarem. Até mesmo aqueles que passeavam com os seus cachorros, ao menos me acenaram com a cabeça, mas os jovens... esses, pouco se lixaram. Nem ao menos, retornaram com “bom dia” quando os provoquei, lhes desejando alto e em bom som. Pelo contrário, ainda teve um deles que atirou a embalagem do biscoito que comia num dos jarros, “pensando” que fosse uma lata de lixo.

Sinto-me um pouco culpado por isso, pois, como professor por mais de 40 anos, talvez devesse ter feito um pouco mais pela educação, principalmente nestes últimos anos, os quais lecionei para essa garotada que está aí. Deveria ter feito o que fiz com meus 4 filhos, que jamais deixariam de cumprimentar não um idoso, mas quem quer que seja, nem descartar qualquer coisa num lugar que não fosse uma lixeira.

É bem verdade que nunca gostei do rótulo de que nós, professores, somos educadores. Sempre me vi como um orientador, conselheiro, mas educador, para mim, são os pais.

Canso de ouvir que os pais devem fazer de tudo para deixar um mundo melhor para os seus filhos. Discordo, pois acho que os pais, sim, devem educar bem os seus filhos, para que eles façam um mundo melhor.

E/T: Quanto ao aluno que atirou a embalagem de biscoito no jarro de planta, chamei-o de volta, pedi que jogasse numa lixeira e... dei um belo esporro.

GOLEADA HISTÓRICA



Na saída do Maracanã, após a goleada de Fla 6 x 1 Vasco, rubro-negros e cruzmaltinos, até então amigos e que tinham se dirigido juntos para o estádio, reencontram-se.

Eufóricos, dizem os torcedores vitoriosos:

— Depois dessa goleada, como vo6 estão? Nós não dissemos, quando a gente Viña pro Maraca, que o Vasco iria tomar na tarraqueta? Ou melhor, do Arrascaeta? Que hoje o dia não seria da cruz de malta mas do De la Cruz? E que, apesar de toda Sforza que fariam, o Jardim se tornaria uma terra arrasada?

Sem graça, os vascaínos sorriem amarelos (ou roxos de raiva), tentam se despedir, mas não conseguem:

— Vou dar um conselho: com os 6 pontos na tabela e essa esca6 de gols, vós mi6 vão sofrer de hepaTite!

Os vascaínos, mais humilhados do que nunca, viram as costas e saem. Mas não deram um passo: 

— 6tão indo pra onde?  Se quiserem, podemos dar uma carona na nossa Mer6des. Podemos pegar a Avenida Pumita, descer a rua Galdames, dobrar ladeira abaixo na direção de São Januário, e lhes deixar em casa, ou seja, na série B. Mas, antes, fazemos questão de lhes pagar um lanche: um pão fran6 com 6 linguiças e Cebolinha!

Nessa hora, os vascaínos não se contiveram e desmaiaram. Isto é 6maiaram!


EXAGERADO, EU SOU MESMO EXAGERADO!

 


Se dizem que um homem para se realizar deve plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, que me desculpe o Cazuza, mas vou pleitear a música de sua autoria, que diz “Eu sou mesmo exagerado”, porque ninguém é mais exagerado do que eu, nesses quesitos.

Digo isso com a máxima tranquilidade, e até desafio qualquer pessoa a disputar comigo esse codinome. Senão, vejamos:

1) Quando criança e adolescente, passava as férias de verão no sítio de meu avô, em Sepetiba, e foi o lugar em que aprendi a curtir a natureza. Foi onde ele me ensinou a plantar as primeiras sementes e as primeiras mudas, as quais, certamente, faziam florescer em mim o desejo de estudar e me tornar um biólogo. E foi justamente no curso de Ciências Biológicas, que comecei a me tornar um exagerado neste quesito, pois não só peguei o hábito de plantar frequentemente, como, mais tarde, levei para os meus alunos projetos de botânica em que o objetivo era plantar em suas mentes que o dia 21 de setembro – Dia da Árvore – não era a única data para se plantar.

2)Publiquei o meu primeiro livro aos 15 anos, quando me apaixonei. Eram poesias românticas, que, sendo um romântico e namorador, multiplicaram-se (tanto livros quanto garotas, é claro). Com o tempo, porém, outros gêneros me inspiraram – infantil, juvenil, romance e até humor -, que hoje, contando com 21 livros publicados, e mais 4 para serem lançados este ano, na Bienal de São Paulo, só me fazem acreditar que sou realmente exagerado também neste quesito.

3) E os filhos? Bem, que me conste, já que ninguém bateu à minha porta, alegando que sou pai de mais alguém, também não posso dizer que não houve um certo exagero na minha vida, uma vez que, legalmente, registrei 4 herdeiros. Herdeiros que, diga-se de passagem, são maravilhosos.

E, como Cazuza não está mais aqui para me contestar, pergunto: tem alguém por aí que me desafie a tanto exagero assim?

Exagerado, eu não sou mesmo exagerado?    

 

CORRUPÇÃO NO FUTEBOL

 

         Desde que a bola é redonda todo mundo sabe que existe corrupção no futebol. Portanto, não fiquei nem um pouco surpreso com a denúncia do Textor, dono do Botafogo, sobre favorecimento de resultados para o Palmeiras; jogadores afastados — alguns réus confessos —, por terem “colaborado” com apostadores e empresários imundos; árbitros que beijavam santinhos antes e depois dos jogos, mas estavam comprados por um sistema de manipulação de resultados... Agora, então, com essa chuva de “Bet’s”, só Deus sabe onde isso pode parar.

         O que vou relatar abaixo é real e foi contado a mim por uma pessoa que, além de ter sido honrada e de moral elevada, também viveu na própria carne um triste e desprezível capítulo de corrupção do nosso futebol: meu pai.

         Passava pouco mais de 1950, quando, promovido a primeiro-tenente, e recém-concluído a Escola de Educação do Exército, ele foi transferido para São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

         Logo, uma proposta do Clube Esportivo Aimoré para que ele se tornasse o preparador físico do time principal aconteceu, e, uma vez que o expediente era somente pela manhã e o seu comandante não viu motivos para se opor, ele aceitou o convite.

          Treinos puxados à tarde, jogos nos finais de semana... Em pouco tempo, aquilo que o time melhorou fisicamente, passou a compensar as suas deficiências técnicas, subindo na tabela do campeonato. Até que veio a semana do jogo contra um dos dois poderosos de Porto Alegre.

         No primeiro dia de treino, meu pai achou estranho que um dos diretores, que nunca aparecia, surgiu para dizer aos jogadores que se empenhassem ao máximo, pois o outro time poderoso, estava oferecendo um prêmio, caso conseguissem um empate ou uma vitória.

         Como se tratava da primeira experiência de meu pai no futebol profissional, achou aquele incentivo estranho, mas relevou e até passou a estender os treinos para o turno da noite. Sendo um time pequeno, com salários modestos, por que não um incentivo a mais?

         Dia do jogo. Segundo meu pai, se os atletas estavam muito bem fisicamente, a promessa da premiação havia injetado um entusiasmo e motivação tão fora do comum, que seria capaz de apostar numa vitória maiúscula do Aimoré naquela tarde.

         Meu pai começou então a dar o aquecimento. Mas qual não foi a sua surpresa, quando aquele diretor, que nunca aparecia nos treinos, adentrou bruscamente no vestiário e, com um sorriso de orelha a orelha, disse:

         “Vocês não precisam mais endurecer. Este time com quem vamos jogar agora, vai nos pagar o dobro para entregarmos o jogo!”     

         Se nos anos 50 já era assim e nunca foi feito nada, só nos cabe fazer uma paródia com aquela música do Cazuza: “BET balanço, meu amor, me avise quanto me paga agora!” 

VOCÊ ACREDITA EM PESQUISA?

 

    Hoje, uma pesquisa publicada no UOL dizia que, para um cidadão brasileiro ser considerado rico, é preciso ter vencimentos mensais de R$ 27.000,00. Ou seja, precisa ganhar esse montante para pertencer à classe AA, cujo percentual da população deste país é de apenas 1%.

    Claro que, imediatamente, fiz minhas contas. Ou seja, quantos meses eu precisaria receber, como aposentado da Previdência, para alcançar o equivalente a um mês dessa classe privilegiada. E, como não sou tão mal assim em Matemática, numa fração de segundo fiquei horrorizado. E olha que meu benefício é o teto da Previdência!


    Porém, considerando 1% da população brasileira, segundo o último censo do IBGE, percebi que as contas não fechavam, pois bastou jogar na calculadora o número de deputados estaduais, federais, vereadores de cidades grandes, empresários, funcionários públicos e comissionados, jogadores de futebol de clubes médios e grandes, atletas de outras modalidades esportivas patrocinados por empresas públicas e privadas, e vai por aí afora — sem contabilizar traficantes e milicianos, que oficialmente não entram nessas estatísticas—, para não acreditar nela. Pois, se todos ganham muito mais do que isso,  também perfazem bem mais do que esse 1%.

    
    Mas uma coisa, segundo a pesquisa, não posso negar que estava certa. Dizia que o valor que recebo como aposentado se encaixava na classe FF. Ou seja, Ferrados e Fodidos!      

MEUS OLHOS, MINHA FERRAMENTA



                Eu já deixei de escrever por vários motivos, como uma viagem em que estive todo o tempo no volante e sequer pude gravar o que gostaria; estar num hospital à beira do leito de um familiar; e até mesmo em virtude de um porre por comemorar demais o lançamento de um livro. Mas o que passei esta semana foi digno de um desespero, o qual jamais desejaria a um inimigo, se é que o tenho.

         Como em todos os dias, acordei motivado para, assim que fizesse o café, sentar ao laptop e escrever. Mas qual não foi minha surpresa, quando, ao me fitar no espelho do banheiro, vi que via mal, que tinham aranhas nas minhas vistas por todos os lados. E, como se isso não fosse o bastante, só enxerguei sombras.

         Eu não pensei em momento algum no que estava acontecendo, mas, como poderia escrever aquilo que já tinha em mente e, dentre outras coisas, me dava satisfação de viver.

         Lembro que, durante a consulta com o oftalmologista, tudo o que falei não foi o que senti nos olhos, mas o que me preocupava sobre a possibilidade de ter de descansar as vistas e não poder fazer o que mais gosto. Afinal, eu não precisava ver a mulher que amo, os filhos que adoro, o cão que me enche de alegria, mas os teclados que contribuem para a minha paixão.

         Deus! Não tenho adjetivos para dizer o que senti, quando fizeram a dilatação das minhas pupilas e disseram que o risco de uma cirurgia poderia ser iminente. Mas qual não foi a minha satisfação, quando o médico, após a retinografia, disse que meu diagnóstico era um tal de “mosca volante”, a qual faz parte da minha idade e que não necessitava de cirurgia. Claro que fiquei abalado, quando me informou que teria de descansar meus olhos e que só deveria esperar que tudo voltasse ao normal.

         Um texto, como esse, o qual custo poucos minutos para escrever, demorou a eternidade, mas só em saber que posso continuar fazendo o que mais gosto, faz com que meus olhos brilhem e que cada letra que escrevo seja um colírio para os meus olhos.

A FELICIDADE MORA AO LADO (MORA MESMO?)

 


                   Por vezes, ouvi nos bate-papos da esquina, ou até mesmo na minha casa, que família feliz deve ser aquela do doutor Soares, um cardiologista, cuja esposa é juíza, e tem um filho de 10 anos, que estuda num dos melhores colégios do bairro.

                Será feliz porque, nos finais de semana, a casa está sempre em festa, repleta de convidados e regada ao melhor uísque escocês? Será porque, na garagem, tem dois carrões, jet-esqui e uma moto de 500 cilindradas? Ou será porque tem piscina, sauna, quadra poliesportiva, além de jardineiro, cozinheira e arrumadeira para cuidar de tudo?

                Será também porque costuma passar férias na Europa e acabou de comprar um apartamento em Miami? Ou será porque, quando raramente aparece na esquina, paga rodada de chope para todo mundo?

                Semana passada, o doutor Soares me perguntou se eu poderia conseguir uma professora particular para o Thiago, seu filho. Mas, antes que fizesse contato com uma colega, resolvi bater um papo com o menino, para dar subsídios a ela. Ou seja, em que ano ele estava, quais as matérias em que tinha dificuldade, etc. E qual não foi a minha surpresa em perceber que o seu grande problema não estava no cognitivo ou no desempenho, mas na disciplina, pois fiquei horrorizado, quando me mostrou a quantidade de advertências recebidas.

                “O que está acontecendo, Thiago?”, perguntei, então.

                “Nada!”, ele disse, emburrado, inicialmente.

                “Se tem tudo, o que está te faltando? Você não está feliz?”

                Esta noite, fui dormir com a sua breve resposta. E agora, que me sentei para escrever, continuo com a sua resposta me batendo na cabeça:

                “Tio, aqui em casa, só o Scott é feliz. Meu cachorro!”  

POEMAS DE BANHEIRO


             Quem nunca entrou num banheiro público e encontrou atrás das portas dos espaços privativos “poemas” de grandes autores? Digo “grandes” porque, além de nos fazerem refletir com suas obras, são de rara humildade porque são anônimos.

                Certamente que hoje em razão de levarem o celular para o banheiro, muitas pessoas perdem a oportunidade de aumentarem sua cultura. Vejam esses poemas, que se encontram no meu livro Várias Maneiras de Provocar um Ataque de Nervos num Professor, os quais encontrei atrás das portas dos banheiros de diversas escolas:

                Caro colega:

              

“ Se acabou o papel

                E a Inês é morta,

               Limpe-se com a cueca

               E não com o dedo na porta”

 

***

 

                A um professor de Física:

 

               “Olhando o que fiz na privada

               Aprendi o que é densidade.

               Que aula prática e profunda!

               Pra que teoria, ó mestre?

               Bastava que me dissesse:

               Olha com a merda não afunda!”

 

***

 

                 Aos professores em geral:

                

    “Se querem também sentir

                  A dor da reprovação,

                  Enfiem nos seus traseiros

                  O que tenho agora na mão!”

 

             

 ***

 

                 “Defecar é tão bom

                 Que defecar é do universo

                 Defecar em silêncio ou com som

                 Chega a nos dar um dom

                 Que defecando eu fiz este verso”

 

***        

               

                Às professoras idosas:

                “Vocês já viram no espelho

                Seus peitos quando sem roupa?

                De pé vão até os joelhos,

                Sentadas, caem na sopa,

                E o traseiro, que maneiro,

                Parece um motor de popa!”

RIO GRANDE DO SUL

 Não é possível que, com toda a catástrofe dos nossos coirmãos, haja pessoas que se aproveitem disso para fazer política!

É nojento! Seja quem for da direita, da esquerda, do centro ou de qualquer ponto cardeal político, estamos vivendo uma catástrofe em que deve estar, acima de tudo, nossa solidariedade.

Com meus 69 anos, jamais imaginei que, após as recorrentes imagens da guerra de Israel e da Ucrânia, pudesse ver tamanha catástrofe no mundo, como essa!

Mas também jamais imaginei que pudesse ver partidos tomarem partido disso para se mostrarem, fazerem média com o povo ou combater a oposição.

Nesse país, que sempre tive orgulho de trabalhar como professor, dedicar horas a fio para levar aos meus alunos uma sólida formação cidadã, tivesse profunda vergonha de certas pessoas, que se aproveitam para colocar suas estampas, seus nomes na m
ídia.

Política verdadeira é o que faz nosso povo, que já é sofrido, dar a sua contribuição para nossos irmãos. Um exemplo para essa corja que ganha fortuna e nada faz a não ser “governar” em causa própria.

O Rio Grande do Sul é grande e continuará sendo, graças a qualquer tostão ou bem material que a ele seja doado. Sejam toneladas de alimentos de grandes empresários ou das orações de quem não tem nada para doar. Seja no meu amigo que ganha muito bem ou simplesmente no neto do meu vizinho, que fez questão de doar a sua mesadinha.

Vamos lá, deputados e senadores, que usam os recursos do governo em benefício próprio! Levantem suas bundas das cadeiras acolchoadas e felpudas, deixem de aparecer nas entrevistas da Globo, da CNN e tantas outras emissoras, e façam também a sua parte: doem seus fundos eleitorais em prol de quem precisa!    

Eu estou fazendo a minha parte. Abri mão de todos os autorais dos meus livros por tempo indeterminado (os mesmos autorais, que havia reservado para pagar o DPVAT de 2023 e 2024) em prol daqueles que certamente perderam seus carros e motos). E vocês?!

Que bom ter aprendido que NINGUÉM É TÃO POBRE QUE NÃO POSSA DOAR, E NEM NINGUÉM É TÃO RICO QUE NÃO POSSA RECEBER!

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...