RIO GRANDE DO SUL

 Não é possível que, com toda a catástrofe dos nossos coirmãos, haja pessoas que se aproveitem disso para fazer política!

É nojento! Seja quem for da direita, da esquerda, do centro ou de qualquer ponto cardeal político, estamos vivendo uma catástrofe em que deve estar, acima de tudo, nossa solidariedade.

Com meus 69 anos, jamais imaginei que, após as recorrentes imagens da guerra de Israel e da Ucrânia, pudesse ver tamanha catástrofe no mundo, como essa!

Mas também jamais imaginei que pudesse ver partidos tomarem partido disso para se mostrarem, fazerem média com o povo ou combater a oposição.

Nesse país, que sempre tive orgulho de trabalhar como professor, dedicar horas a fio para levar aos meus alunos uma sólida formação cidadã, tivesse profunda vergonha de certas pessoas, que se aproveitam para colocar suas estampas, seus nomes na m
ídia.

Política verdadeira é o que faz nosso povo, que já é sofrido, dar a sua contribuição para nossos irmãos. Um exemplo para essa corja que ganha fortuna e nada faz a não ser “governar” em causa própria.

O Rio Grande do Sul é grande e continuará sendo, graças a qualquer tostão ou bem material que a ele seja doado. Sejam toneladas de alimentos de grandes empresários ou das orações de quem não tem nada para doar. Seja no meu amigo que ganha muito bem ou simplesmente no neto do meu vizinho, que fez questão de doar a sua mesadinha.

Vamos lá, deputados e senadores, que usam os recursos do governo em benefício próprio! Levantem suas bundas das cadeiras acolchoadas e felpudas, deixem de aparecer nas entrevistas da Globo, da CNN e tantas outras emissoras, e façam também a sua parte: doem seus fundos eleitorais em prol de quem precisa!    

Eu estou fazendo a minha parte. Abri mão de todos os autorais dos meus livros por tempo indeterminado (os mesmos autorais, que havia reservado para pagar o DPVAT de 2023 e 2024) em prol daqueles que certamente perderam seus carros e motos). E vocês?!

Que bom ter aprendido que NINGUÉM É TÃO POBRE QUE NÃO POSSA DOAR, E NEM NINGUÉM É TÃO RICO QUE NÃO POSSA RECEBER!

PROGRAMA DO JÔ


 Quando publiquei meu primeiro livro de humor “Várias Maneiras de Provocar um Ataque de Nervos num Professor”, em 2015, cujo prefácio foi do sensacional Juca Chaves, enviei um exemplar para a produção do programa do Jô Soares, com a pretensão de ser convidado para uma entrevista.

Alguns dias após, recebi uma resposta do próprio Jô, agradecendo o livro, pedindo que em razão da agenda do programa estar lotada, eu aguardasse uma oportunidade, mas me convidando para colaborar com as famosas “pérolas” dos estudantes, que ele costumava dizer na abertura dos seus programas.

Vai daqui, então, algumas das minhas contribuições, que aconteceram através de outros colegas professores, ou que me estarreceram nas próprias salas de aula:

Perguntas:

 “Nas Serras Gaúchas tem praia?”

“Ácido tartárico é aquele que o dentista usa para retirar o tártaro dos dentes? Ele também é usado para fazer o molho tártaro?”

“Condensação não é a passagem do estado líquido para o sólido do leite condensado?”

“Parênteses não são pessoas que pertencem à mesma família?”

“Cabaça não é o nome que se dá no Nordeste à mulher virgem?”

“Força centrípeta não é o oposto de força contrípeta?”

“Vos reflexiva não é a voz da consciência, que faz a pessoa refletir?”

“Varicela não é o diminutivo de varize?”

“Verbos defectivos não são verbos usados que defecam uma frase, como ‘borrar’ e ‘cagar’”?

Afirmações:

“Atrito é doença de velho que dá nas articulações”

“Cartesiano é o nome que se dá quando se encontra água num poço”

“Glutão é quando uma pessoa tem a bunda muito grande”

“Hífen é a membrana que tapa a entrada da vagina das virgens”

“Fonema é a ligação telefônica que ninguém diz nada”

“Depauperado é quando um homem faz cirurgia de fimose”

“Retrovírus é o vírus que só pode ser visível pelo retroprojetor”

“Seminário é o banco de sêmen”

CONSELHO DE CLASSE

 

(ESSE CONSELHO EU NÃO DOU PARA NINGUÉM)

 

Como coordenador de uma escola particular, eu quis inovar no último bimestre.

Relacionando-me maravilhosamente bem com os professores, quis juntar o útil ao agradável: fazer o Conselho de Classe na minha casa, que era super espaçosa, tinha churrasqueira e piscina, onde, após discutirmos nossas responsabilidades, faríamos um churrasco.

Na sombra, juntei as mesas da área gourmet, da cozinha e da sala para que coubessem todos os 15 professores.

Preocupado, no entanto, com o churrasco, cedo coloquei carvão na churrasqueira e, sei lá por que cargas d’água, resolvi fazer um “leite de onça” (cachaça com Leite Moça), apesar de a geladeira estar lotada até a boca de cervejas.

Tudo corria como planejado até que o professor de Literatura chegou mais cedo e, precisando de alguém que provasse o “leite de onça” para saber e estava no ponto, ofereci uma dose, que, claro, também provei. Mas, como a taça era muito pequena, provamos mais duas doses.

Estava ótimo. Até que a professora de História chegou e também quis prová-lo. E como eu e o professor de Literatura também nos servimos...

Como todo professor exige que seu aluno não entre em sala atrasado, mas ele está sempre atrasado nos seus compromissos, não contávamos que, esperando pelos colegas, a primeira garrafa ficasse vazia.

Piorou, quando a professora de Geografia chegou com os diários de classe e informações sobre cada aluno, mas trazendo, também, bolinhos de bacalhau. Já experimentaram bolinhos de bacalhau com “leite de onça”? É uma combinação perfeita.

Que a verdade seja dita: ela não bebeu nada, mas foi uma irresponsável, quando mudou o CD de música instrumental, que eu havia colocado para criar um espírito leve na Conselho, por outro, que era de samba. Pode parecer coisa maldita, mas vocês já experimentaram a combinação de “leite de onça,” bolinhos de bacalhau e samba? Garanto que, se os professores de laboratório de Química soubessem a liga que isso dá...

Nem é preciso dizer que os bolinhos de bacalhau e a segunda garrafa de “leite de onça” ficaram para contar histórias para os professores que ainda estavam atrasados.

Pior ficou ainda, quando minha esposa, coitada, querendo agradar, colocou sobre as mesas amendoins e batatinhas fritas. E como os bolinhos de bacalhau já tinham acabado, será preciso dizer que esses salgadinhos também combinam magnificamente com leite de onça e samba?

Como anfitrião e o responsável pelo Conselho, confesso que não vi o momento em que os derradeiros professores chegaram, mas vi a hora em que já tinham colocado fogo na churrasqueira e quase colocaram fogo também na casa. Vi também o instante em que a professora de Matemática jurava que dois mais dois eram cinco. E mais: o professor de Educação Física enfiar a mão na privada porque seu celular tinha mergulhado nele antes de dar a descarga; que a professora de Inglês parecia falar Hebraico; a de Espanhol tropeçou em si mesma e caiu na piscina, pedindo socorro porque não sabia nadar, apear da sua profundidade só ter 50 centímetros; o professor de Biologia, pedindo mais um dose, porque queria se encontrar com o gene da onça para saber por que, através de seu leite, deixava todo mundo feliz; e o professor de Informática, que, olhando para o céu, dizia que estava vivendo uma realidade jamais imaginada: sentia-se verdadeiramente na nuvem.

Resumo da ópera: como era um coordenador extremamente responsável, na segunda-feira suspendi as aulas para que todos se recuperassem da ressaca – eu também, é claro -, e fizéssemos o Conselho de Classe. Com muita água e dipirona.

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...