A FELICIDADE MORA AO LADO (MORA MESMO?)

 


                   Por vezes, ouvi nos bate-papos da esquina, ou até mesmo na minha casa, que família feliz deve ser aquela do doutor Soares, um cardiologista, cuja esposa é juíza, e tem um filho de 10 anos, que estuda num dos melhores colégios do bairro.

                Será feliz porque, nos finais de semana, a casa está sempre em festa, repleta de convidados e regada ao melhor uísque escocês? Será porque, na garagem, tem dois carrões, jet-esqui e uma moto de 500 cilindradas? Ou será porque tem piscina, sauna, quadra poliesportiva, além de jardineiro, cozinheira e arrumadeira para cuidar de tudo?

                Será também porque costuma passar férias na Europa e acabou de comprar um apartamento em Miami? Ou será porque, quando raramente aparece na esquina, paga rodada de chope para todo mundo?

                Semana passada, o doutor Soares me perguntou se eu poderia conseguir uma professora particular para o Thiago, seu filho. Mas, antes que fizesse contato com uma colega, resolvi bater um papo com o menino, para dar subsídios a ela. Ou seja, em que ano ele estava, quais as matérias em que tinha dificuldade, etc. E qual não foi a minha surpresa em perceber que o seu grande problema não estava no cognitivo ou no desempenho, mas na disciplina, pois fiquei horrorizado, quando me mostrou a quantidade de advertências recebidas.

                “O que está acontecendo, Thiago?”, perguntei, então.

                “Nada!”, ele disse, emburrado, inicialmente.

                “Se tem tudo, o que está te faltando? Você não está feliz?”

                Esta noite, fui dormir com a sua breve resposta. E agora, que me sentei para escrever, continuo com a sua resposta me batendo na cabeça:

                “Tio, aqui em casa, só o Scott é feliz. Meu cachorro!”  

POEMAS DE BANHEIRO


             Quem nunca entrou num banheiro público e encontrou atrás das portas dos espaços privativos “poemas” de grandes autores? Digo “grandes” porque, além de nos fazerem refletir com suas obras, são de rara humildade porque são anônimos.

                Certamente que hoje em razão de levarem o celular para o banheiro, muitas pessoas perdem a oportunidade de aumentarem sua cultura. Vejam esses poemas, que se encontram no meu livro Várias Maneiras de Provocar um Ataque de Nervos num Professor, os quais encontrei atrás das portas dos banheiros de diversas escolas:

                Caro colega:

              

“ Se acabou o papel

                E a Inês é morta,

               Limpe-se com a cueca

               E não com o dedo na porta”

 

***

 

                A um professor de Física:

 

               “Olhando o que fiz na privada

               Aprendi o que é densidade.

               Que aula prática e profunda!

               Pra que teoria, ó mestre?

               Bastava que me dissesse:

               Olha com a merda não afunda!”

 

***

 

                 Aos professores em geral:

                

    “Se querem também sentir

                  A dor da reprovação,

                  Enfiem nos seus traseiros

                  O que tenho agora na mão!”

 

             

 ***

 

                 “Defecar é tão bom

                 Que defecar é do universo

                 Defecar em silêncio ou com som

                 Chega a nos dar um dom

                 Que defecando eu fiz este verso”

 

***        

               

                Às professoras idosas:

                “Vocês já viram no espelho

                Seus peitos quando sem roupa?

                De pé vão até os joelhos,

                Sentadas, caem na sopa,

                E o traseiro, que maneiro,

                Parece um motor de popa!”

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...