AMOR PROIBIDO

         Durante o processo de produção de Amor Acima de Qualquer Suspeita, baseado na vida de um amigo, tive a oportunidade de conviver muito tempo com ele e sua namorada, não só porque trabalhávamos na mesma escola e ela era nossa aluna, como arregimentava detalhes para incluir no livro.

        Ansiosos para verem o livro pronto, certa vez, a fim de acalmar suas ansiedades, escrevi e dediquei a eles esta poesia.

 

AMOR PROIBIDO

 

De quem é a culpa,

Da minha ou da sua idade,

Do destino que errou



Em nos apresentar,

Ou da moral

Que não tem legalidade?

 

Quem é o mundo para

Nos julgar,

Se derramando sangue,

Fomentando a fome

E epidemias,

É o primeiro a não saber amar?

 

Quem pode nos julgar impróprios,

Se somos mais do que perfeitos:

Loucos de paixão,

Tiranos do prazer,

Insaciáveis de ternura?

 

Só aceito ser julgado

Por quem ama e é amado,

Por quem traz dentro do peito

O privilégio e não o defeito

De amar com a nossa idade!

 

Temos tanto em comum,

Que nada vale a diferença:

Adoramos Pink Floyd,

Pink, verde, qualquer cor...

Curto escrever poesias,

Você adora lê-las,

Gosto de andar sob a lua,

E tu sob a luz das estrelas!

 

Amor proibido...

Em que religião isso é pecado,

Qual constituição é ilegal,

Se cada dia

Conhece-te a ti mesmo com os meus

Sessenta e tantos,

E se sei que nada sei com

Os seus tão poucos anos?

 

É um fenômeno natural

Que sob a luz do nosso quarto

Somos fotossintetizantes:

Teu suspiro e meu suor

Em nossos corpos indomáveis

Produzem insaciáveis

A glicose dos amantes.

Ansiosa, então aceleras

O ritmo, mais do que louca.

No entanto, temendo que eu

Não te deseje igual

Me cobre de beijos a boca

Para me dar o ar que preciso

Pra ser viril até o final.

 

Por que amor proibido,

Se te amando rejuvenesço,

Se me amando te engrandeço?

Se teu sorriso me estimula a libido,

Se quando choro, me pões do avesso?

 

Proibido por que nascemos

Tão distantes um do outro?

Não somos duas paralelas,

Mas sim o ponto e a vírgula,

O pão com manteiga,

Deus e o pecado...

Somos exceção à regra:

Ocupamos o mesmo lugar no espaço.

 

Amor proibido?

Ah!

 

Que o mundo nos condene,

Blasfeme,

Deturpe...

 

O mundo que se odeie

Por isso!

 

E quer saber?

 

Por que ficar escrevendo,

Perdendo tanto meu tempo,

Se todo o tempo que tenho

É pra te amar

E ser amado?

PIADAS DA HORA

                 Como já dizia o grande compositor Billy Blanco “o que dá pra rir, dá pra chorar”, tenho flagrado situações que, embora sejam gafes ou ignorâncias, não podem deixar de ser comentadas. E como estou sempre ligado no que acontece à minha volta, desculpem, mas tenho de fazer rir e não chorar.

                    PIADAS DA HORA

                Ontem, ao chegar na padaria pela manhã para comprar aqu
ele pãozinho francês para o café da manhã, escutei essa:

                “O Mengão só não goleou o Palestino porque teve pena!”, disse o cara que estava na fila.

´              E qual não foi a minha cara e a de muita gente, quando o balconista retrucou:

                — Tinha que ter pena mesmo! Afinal, os palestinos estão em guerra com Israel; a cidade deles está tão destruída, que nem devem ter campo pra treinar, e, ainda por cima, foram obrigados a viajar pro Brasil pra jogar no Maracanã! Além disso, já imaginou que, enquanto estavam jogando, os familiares poderiam estar sendo bombardeados?

                                                                    *****

                Assistindo ao jogão Manchester City X Real Madri, a emoção era tanta, que muita gente não deve ter percebido as gafes do narrador e do comentarista.

                O City tem dois jogadores com nomes muito curiosos: o inglês Philip Foden e o belga Jérémi Doku.

                De repente, durante uma jogada de iminente perigo na área do City, o narrador gritou: “Tira a bola Doku!”

Minutos depois, quando o atacante do City fez um golaço, o narrador, mais uma vez, não se conteve, e gritou: “Foden! Foden! Foden!”, “O nome dele é Foden! Foden, o cara!”

E não ficou nisso, porque, na mesma hora, ainda cheio de emoção, ele esganiçou-se: “Daqui dá pra se ouvir o grito vindo da arquibancada: ‘City, Foden” City, Foden!”

E como se isso já não tivesse me afrouxado de risos, o comentarista ao escolher o melhor jogador, no final da partida, disse: “Se Foden... Isso mesmo, telespectadores! Se Foden não tivesse jogado o que jogou, eu juro que Doku... Juro que minha escolha seria Doku!”

                                                        *****

Faço parte de um grupo de escritores independentes, que estão sempre publicando seus livros em plataformas. Uma delas é o KU — isso mesmo, KU —, sistema de assinatura de livros digitais da Amazon.

Esta semana, trocávamos mensagens no celular, quando uma das colegas postou:

”Acabei de colocar meu livro no KU!”

Por alguns segundos houve um silêncio absoluto até que alguém comentou, começando um diálogo entre eles:

“Eu também ia colocar o meu no KU, mas desisti porque não teria visibilidade. Pouca gente ainda gosta do KU!”

”Eu discordo. Esse já é o segundo livro que ponho no KU, e tenho gostado muito. O primeiro pode não ter sido um sucesso, mas depois que fiz bastante propaganda, muita gente passou a me conhecer pelo KU.

“Você, quando bota o livro no KU, você deixa o seu KU aberto?”

”Você quer saber se eu cobro pelo meu livro no KU? Normalmente, nas primeiras semanas, eu deixo todo mundo ver meu KU de graça!”

“Legal! Acho, então, que vou experimentar colocar meu livro também no KU.”

“Garanto que você vai gostar!”

“Certo! Mas que tipo de livro você põe no KU?”

“Hoje, foi um romance de 200 páginas, mas o primeiro foi um suspense de 400!”

“Nossa! Não sei como aguenta!”

“É que depois que descobri que posso colocar tudo no KU, não tenho feito outra coisa.”

“Você pode me dar o endereço do seu KU? Já que seu KU está de graça, vou navegar dentro dele pra ver se gosto.”

“Tudo bem. Mas se tiver alguma dificuldade, me avisa, porque terei o maior prazer em  te ajudar a explorar o meu KU!” 

     

 

 

O DIGITADOR ESCOLAR

                 Como trabalhei numa escola em que o digitador da mecanografia costumava dizer que produzia muito mais e melhor, após tomar uns “gorós”, tive a inspiração (ou piração) para escrever esse conto.

 

O DIGITADOR ESCOLAR

 

                O novo digitador da mecanografia do colégio de freiras Servas de Fé e Ação do Senhor, quando começou a trabalhar na instituição, estava com o seu prestígio profissional acima dos mortais. Afinal, dentre uma centena de candidatos, seu desempenho, no processo de seleção, tinha sido simplesmente extraordinário.

                Na primeira etapa do processo – digitar no Word Os Lusíadas -, ele chegou à média de 200 toques por minuto. E sem um único erro, de palavras e pontuação.

                Na segunda etapa, ele confeccionou em Excel a tabela periódica em apenas 20 minutos, e também sem um erro sequer: símbolos, distribuição de elétrons nas camadas, números atômicos...

                E na terceira etapa, foi mais surpreendente ainda. Transcreveu para o Word um texto de Shakespeare, em inglês, impresso em fonte 4, atingindo a média de 185 toques por minuto. E, como das vezes anteriores, sem qualquer erro.

 

                Talvez o processo fosse menos rígido se o digitador anterior não tivesse cometido um erro imperdoável, que levou a direção a demiti-lo sumariamente, apesar dos seus dez anos de serviços prestados à escola.

                “Mas, Irmã, revisão de texto não é de minha responsabilidade, e sim do professor!”, ele até tentou se defender, na hora da demissão.

                “Acontece, porém, que o erro foi no cabeçalho e não no texto. E isso é uma responsabilidade sua!”

                A Madre Superiora e toda a Ordem das Servas de Fé e Ação do Senhor realmente não tiveram outra alternativa senão demiti-lo, quando leram o cabeçalho de todas as provas bimestrais: “Colégio das Servas de Felação do Senhor”.

 

                Indiscutivelmente, os testes do novo digitador conceituaram-no como competentíssimo. Ainda mais se levando em conta que ele jamais estudara Química, e muito menos falava inglês. Seu poder de perfeita digitação não era técnico, mas um privilégio raro: memorizar fotograficamente, num único olhar, tudo o que avistava, fossem palavras, desenhos, mapas, símbolos, hieróglifos... Privilégio raríssimo, que só costumava ser destruído quando a mente estava alcoolizada.

 

                Como a Covid provocara um reboliço total no calendário da escola, fazendo com que todas as avaliações do 3º bimestre, do fundamental aos cursos técnicos do ensino médio, tivessem de ser marcadas para a mesma semana, a coordenadora geral disse à Madre:

                “Não acha que, por precaução, deveríamos transferir as datas das avaliações, pois o digitador vai ficar sobrecarregado?”

                “Transferir?! Isso nunca! Esqueceu de que ele é um exímio digitador?”

                “E as revisões das provas, Madre? Já imaginou se todos os professores devolverem as provas revisadas ao mesmo tempo, e em cima da hora?”

                “Não se preocupe porque, com esse digitador, revisão de prova passou a ser coisa do passado! Esqueceu do seu desempenho no processo de seleção? Ele não erra nunca! Nunca!”

                “E as circulares, os boletos de pagamento dos passeios...?”

                “Isso é cafezinho pra ele!”

 

                Embora as provas só começassem às oito horas, às sete já estava, no gabinete da Madre, o responsável por um aluno do primeiro ano do ensino médio, injuriado.

                “O nome do meu filho é Dênis, e não Pênis, como está nesse boleto. E o pagamento é pró-Instituto de Biologia, e não Prostituto de Boiologia!”

                “!”

                Sequer passou um segundo da saída daquele responsável, o seu telefone tocou:

                “Madre, houve um erro gravíssimo de digitação. Meus alunos do primeiro ano...”

                “Já sei! Já tomei conhecimento daquele ‘Prostituto’...”

                “Eu também acho esse digitador um prostituto, porque terei que suspender a provinha deles!”

                “Provinha?! Do que você está falando? Não é um boleto de cobrança?”

                “Madre, quem está falando é a professora do primeiro ano do fundamental. Estou me referindo à frase da construção da letra “V”. Em vez de “Vovó viu a uva” ele trocou o ‘viu’ pelo ‘deu’...”

                “Deve ser a sua letra, professora. Você precisa estar mais atenta à sua letra cursiva. Assim, não tem digitador que adivinhe. Mas... O que há de errado se, em vez de ‘Vovó viu a uva’ foi escrito ‘Vovó deu a uva’?”

                “Nada de mais se, ao invés de ‘Vovó deu a uva’ ele não tivesse escrito ‘Vovó deu a vulva’”

                “!”!

 

                Com a intenção de ir pessoalmente à mecanografia, a Madre levantou-se a jato. Mas, no primeiro passo que deu, foi interceptada pelo coordenador dos cursos técnicos do ensino médio.

                “Posso lhe falar? É urgente.”

                “Estou indo à mecanografia falar com o digitador...”

                “É sobre aquele prostituto?”

                “Ah! O senhor também já tomou conhecimento do ‘Prostituto’?”

                “Claro! Afinal, só pode ser prostituto quem escreve essas barbáries!”

                “!!!”

                “No curso de Administração, os exames são chamados de teses e não de fezes; e a prova de desfile de passarela é no curso de Moda e não de... Ele simplesmente trocou o ‘M’ pelo ‘F’!”

 

                Em seguida, sua sala foi tomada de professores, coordenadores, funcionários... O caos era total.

                O coordenador de História era um dos mais agitados.

                “Ele só pode estar me boicotando. Se eu o vir... Parto a cara dele!”

                “!!!!”

                “Onde já se viu trocar feudalismo por... fodalismo? E a sedição no Pará, conhecida como Cabanagem, por Sacanagem?”

                “Pior foi comigo, na Geografia.”

- !!!!!

- O Lago Titicaca, no Peru, passou a ser Titica mesmo, e a maior planta cultivada na Amazônia mudou de nome. Em vez de juta... Imaginem uma questão assim: “Em que estado do Brasil ocorre a maior exploração de puta?”

                “Isso, não é nada!”

“!!!!!!”

“Na minha prova de Filosofia, Hipócrates passou a ser chamado, sem mais nem menos, de Hipócrita; e na de Sociologia, não foi com o Fordismo que Henry Ford estimulou a produção em massa, mas com o Fodismo!”

                “Pior foi na minha! Como professor de Física, eu sempre ensinei que os relâmpagos são centelhas elétricas, e não pentelhas elétricas!”

                “!!!!!!!”

                “Alto lá, minha gente! Comparem o meu rascunho com a digitação desse prostituto! Está, aqui, bem legível: “O homem tem vários gametas...” E o cara digitou: “O homem tem ovários manetas...” E numa outra questão: o úmero virou útero, e passou a ser um osso que menstrua!”

                E como se isso não fosse o bastante, o professor de Química gritou:

                “E a bureta?! E a bureta?! Sabem no que ela se transformou?”

                “!!!!!!!! Pelo amor de Deus, professor! Nem se atreva a dizer!”

                “Por favor, gente, tragam um chá para a Madre!”

                “Um Lexotan, também!”

                “Abana ela! Abana ela!”

                “Verifica o pulso! Ela está respirando?”

                “Beba isso, Madre! Tenha calma!”

                “Está se sentindo melhor agora?”

 

                “Ainda bem que as provas não chegaram às mãos dos alunos, Madre. Já imaginaram se tivessem lido essas atrocidades?”

                “Concordo, mas... Se bem que há professores que, pelo amor de Deus, a letra é um verdadeiro garrancho. Não há como o digitador entender. Afinal, ele não tem graduação em Física, Química, Filosofia, História...”

                “Isso, é verdade! Por isso, que eu sempre entrego as minhas avaliações em CD.”

                “Eu as envio por e-mail!”

                “Tudo bem! Tudo bem! Vamos, então, transferir as provas. Comunicaremos aos alunos que deu vírus no computador. Deus há de me perdoar por essa mentirinha.”

                “E as advertências, Madre?”

                “Não me diga que também houve problema de digitação na coordenação de disciplina.”

                “Bem, é que... que... Eu pedi que ele escrevesse no formulário de advertência de uma aluna do 9° ano, que deu, no recreio de ontem, um soco no colega e não um bofetão...”

                “E daí? É tudo a mesma coisa: soco, murro, bofetão...”

                “Eu concordo... Se ele não tivesse trocado o “f” pelo “c”!”

                “Não! Essa, não! Dai-me forças, Senhor Je...sus!”

 

                Mas se, ao invés de tanta prova prática para admitir o digitador, as Servas de Fé e Ação do Senhor tivessem pelo menos contatado com o departamento do pessoal do seu último emprego... Pois, no cabeçalho da circular que foi enviada para todos os responsáveis, não estava escrito Jardim Escola Braga e Costa, mas Jardim Esmola Brega e Bosta. E que, se não tivesse trocado o “g” pelo “c” o meio de transporte, o qual os alunos do 4º ano deveriam desenhar na prova, seria uma piroga.   

   

AMIGOS

 “Você, meu amigo de fé,

Irmão, camarada...”

 

“Amigo é coisa pra se guardar

Debaixo de sete chaves

Dentro do coração...”

 

    Eu sempre curti meus amigos. Falo dos amigos de fé, desses que guardamos debaixo de sete chaves, desses a quem confiamos nossos problemas e gostamos de estar sempre em sua companhia.

    Claro que se não acreditasse na recíproca verdadeira deles, jamais os consideraria amigos, pois não vejo a amizade como relação unilateral.

 

    Mas... o que está acontecendo com os meus amigos? Cadê aqueles que viviam na minha casa, quando eu fazia um churrasco ou só tinha jogo no Pay-per-view? Cadê aqueles que pediam para eu preparar uma prova em seu lugar porque estavam assoberbados? Cadê aqueles para quem eu dava aulas particulares para seus filhos e, em nome da nossa amizade, só cobrava um copo d’água e um cafezinho? Por eu ter me aposentado e viajado muito, será que, coincidentemente, eles estão sem tempo? Será que aquela máxima que diz “aquele que não é visto não é lembrado” vale para a amizade?

 

    Resolvi fazer um teste. Sempre tomando a iniciativa de enviar mensagens de Boas Festas, Feliz Dia do Mestre, dos Pais, das Mães..., esperei que, nessa Páscoa, eles me enviassem suas mensagens primeiro do que eu.

    Fiquei chocado! Será que criei um mau hábito e, mais uma vez, esperaram que eu tomasse a iniciativa? Acho que sim porque, no final do dia, surpreendentemente, somente 2 amigos tinham me enviado “Feliz Páscoa!”

 

“Faça uma lista de grandes amigos

Quem você mais via há dez anos atrás?

Quantos você ainda vê todo dia?

Quanto você já não encontra mais?”

                                                  

    Se você está cheio de amigos com os quais só troca mensagens no WhatsApp; se você encontra um amigo casualmente, e ficam de marcar um chope para botar a conversa em dia, mas sabe que isso jamais acontecerá; se você nunca tem tempo para eles, talvez seja a hora de fazer sua lista de verdadeiros amigos, como sugere a letra da música acima, A Lista, do Oswaldo Montenegro.

 

    Faça como eu, que também estou me colocando do outro lado da moeda, ouvindo mil vezes a canção do Oswaldo Montenegro, e me perguntando: e eu, será que também não deixei a desejar? Será que mereço fazer parte da lista desses amigos? 

A COR DA ALMA

     Quem me conhece sabe o quanto sou romântico e que foi em razão disso que o meu sangue literário começou a circular nas minhas veias, fazendo escrever as minhas primeiras poesias.

    Isso aconteceu por volta dos meus 15 anos, quando me apaixonei pela primeira vez. Seu nome era Vera e até hoje guardo na memória a primeira poesia que fiz para ela:


“Jurei amar-te com amor bem puro

Jurei e juro e morrerei jurando

Se para amar-te for quem sabe a morte

Eu juro que morrerei te amando!” 

 

    Dizem que o amor é cego, o que discordo, pois ele é milagroso. Pois para provar isso, vejam o que a vida me reservou, e me levou a fazer esta poesia: 

 

A COR DA ALMA

— Que cor é o azul?

Que cor é o vermelho?

Que cor é o verde?

Que cor tem cada cor?

Só não precisa me dizer

Que cor é o preto

Porque é a cor de tudo o que olho.

— O azul é a cor do céu,

O vermelho é a cor do sangue,

O verde é a cor das matas.

 

— Que cor são seus olhos?

— Meus olhos são pretos!

— Pretos como a minha eternidade?

E que cor são seus versos?

 Meus versos não têm cor!

— Como não têm cor

Se agora que eu os ouço

Vejo o céu, o sangue, as matas

E que esta minha eternidade

Jamais será o preto dos seus olhos.

QUE RESPOSTA!

    Ontem, dia 7 de abril, diversos clubes pelo Brasil comemoraram o seu campeonato estadual de futebol merecidamente.  Mas nós, vascaínos, mesmo sem termos o campeonato para comemorar, comemorarmos, sim, o maior título de nossa história: os 100 anos da Resposta Histórica.

    Com exceção de todo vascaíno, vocês sabem o que foi a Resposta Histórica? Pois é algo que deveria ser estampada na mídia mundial; que deveria ser merecedor de uma série de TV; que deveria ser levado às escolas e universidades do mundo inteiro; e que deveria fazer parte de todas as manifestações pelo planeta afora e no Brasil, especialmente, no Dia da Consciência Negra.

    A Resposta Histórica foi um documento em que a instituição cruzmaltina rejeitou a exclusão de negros, pobres e atletas de origens humildes pudessem disputar o campeonato estadual do Rio de Janeiro de 1924.

    O Vasco havia conquistado o título de 1923, e ganhara o direito de disputar, no ano seguinte, a  liga especial (1ª divisão). No entanto, Flamengo, Fluminense, Botafogo, América e Bangu só o aceitariam se excluísse os 12 atletas negros e pobres, para que o futebol continuasse a ser um esporte de elite e, exclusivamente, de brancos. Neste documento, o Vasco que, além de repudiar essa atitude, negava-se terminantemente de participar dessa liga de elite. E mais: como um clube democrático e antirracista, lançou então aquilo que ficou conhecido e respeitado mundialmente, como “Camisas Negras”, um uniforme totalmente preto.

    Foi, portanto, um domingo, que, certamente, nossos adversários jamais poderão comemorar. Foi um domingo, onde todo vascaíno pode demonstrar que seu torcedor não ama um time, mas o clube. Que todo vascaíno reconhece que a sua instituição social faz o seu maior papel, que é respeitar a democracia e que não tem preconceitos nem discriminações. Na verdade, um exemplo.

    Prejudicado dentro e fora e fora do campo – provavelmente por inveja ou incompetência -, seu torcedor chegou a criar um slogam: Contra Tudo e Contra Todos. E é por isso, que o Vasco da Gama é o verdadeiro clube do povo!

    Enfim, ´por isso, que o vascaíno não torce simplesmente pelo VASCO, mas, sim, pelo Clube de Regatas Vasco da Gama.

Valeu campeão!

Parabéns! Parabéns! Parabéns!

EL CHARCO DE AGUA

    Como promessa é dívida, hoje posto o El Charco de Agua, que é a versão em espanhol do miniconto A Poça D’Água, com o qual participei do concurso de literatura infantil de Sevilha, em 2018, recebendo menção honrosa.
    Digo que promessa é dívida porque, assim que duas professoras de espanhol com quem tive o prazer de trabalhar leram a postagem anterior, me enviaram WhatsApp me cobrando.
*Se você é professor de espanhol e tem interesse de usar esse texto em algum de seus trabalhos escolares, está autorizado.
 


Yo iba a poner mi barco de papel en un charco de agua cuando me asusté:

- ¡Qué fracaso! – me decía. – ¡Vine desde el cielo para ser importante y me volví en un charco!
Confieso que me puse triste, pero como tenía una gran razón para consolarlo, le dice en el mismo momento:
- Usted es agua, ¡y el agua es una de las cosas más importantes de la vida!
Pero, infelizmente, él no me hizo caso.
Por la noche, observando que el cielo se quedó estrellado, y la vanidosa luna llena se admiraba en él, no dudé:
- ! Qué lujo, Don Charco! ! Ser el espejo de la luna es un privilegio! – Le dice de golpe
Pero también fue inútil.
- De acá un rato amanecerá y no estará la luna. Pronto volveré a ser el mismo charco! Se lamentó de nuevo.
Al día siguiente, desde mi ventana veía que los pájaros se bañaban contentos en sus aguas, insistí:
- Has visto Don Charco! De inútil usted no tiene nada. Es una piscina para ellos y esto es muy importante!
Pero como es porfiado...
- ¡Pronto ellos volarán y volveré a ser el mismo pobre charco! Y lo peor – dijo aún -, es que el sol me va a secar y, pronto ¡ni charco seré!
Hoy ha vuelto a llover. Pero, cuando dejó de llover y miré por a la ventana, he tenido una gran sorpresa de verlo nuevamente al Don Charco. Y él estaba tan reluciente, ¡que hasta hacía olas!
-¿Puedo saber el porqué de la euforia? – Le pregunté prontament
- ¡Es que he descubierto que soy renovable! Que subo al cielo, me transformo en nube y caigo nuevamente como lluvia, ¡soy eterno! Además, soy el espejo de la luna y la piscina de los pájaros,
lo que me hace muy importante – me comentó lleno de felicidad. – Y en cuanto a ti mi amiguito – me lo dijo – Ven a jugar conmigo porque estoy loca para ser el mar de tu barco de papel.

*Tradução da professora RosiIene Soares de Sousa.


SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...