Na verdade, esse bom humor sempre teve um quê de verdade,
pois confesso que nunca entendi ou digeri a morte. Talvez porque tenha perdido
o meu avô materno – um homem que foi realmente pai duas vezes na minha vida –
quando passava por momentos bastante turbulentos; talvez porque tenha perdido a
minha avó materna, que tinha um ouvido magnífico para me ouvir e me entender;
talvez porque perdi minha mãe quando mais precisava – uma redundância porque
mãe a gente precisa a vida toda -, mas de uma forma estupidamente trágica;
talvez porque tenha perdido meu irmão durante a missa dela de sétimo dia;
talvez porque tenha perdido meu pai, que havia passado a ser o meu esteio,
meses depois.
Esse efeito cascata de amargura não teria sido uma forma de
Deus me dizer uma, duas, três vezes o que é a morte física, já que a vida deles
ficará dentro de mim eternamente, ou melhor, até que eu partirei também? Será
que não foram lições para eu ter a consciência de que a morte é a única certeza
da vida, e devo estar preparada para ela?
Sou cristão. Mas apesar de tudo isso, continuo não entendendo
ou digerindo essa passagem. Leio, vejo filmes sobre isso baseados nessa
realidade, converso a respeito, ouço pessoas com grande espiritualidade, mas...
continuo não compreendendo nem digerindo a morte. Quem sabe eu só consiga
entendê-la depois que de morrer...
Eis aqui um homem de pouca fé!
É fim de noite. Logo, irei me deitar e orar para Deus,
agradecendo por tudo o que me proporcionou hoje: meus filhos, minha esposa, a
comida, a saúde... Mas... No fundo, no fundo, ainda direi a mim mesmo: “Menos
um dia!”
Se você tem algo que possa me ajudar, interaja comigo,
escreva alguma mensagem e deixe nos
comentários.
Amém!

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