A MORTE OU A VIDA ETERNA


         13 horas, final do último tempo na escola. Não foi uma, duas ou centenas de vezes que ouvi um aluno dizer: “Graças a Deus, mais um dia!” Mas eu, com bom humor, sempre retruquei: “Que bom pra você, porque, pra mim, é menos um dia!”

Na verdade, esse bom humor sempre teve um quê de verdade, pois confesso que nunca entendi ou digeri a morte. Talvez porque tenha perdido o meu avô materno – um homem que foi realmente pai duas vezes na minha vida – quando passava por momentos bastante turbulentos; talvez porque tenha perdido a minha avó materna, que tinha um ouvido magnífico para me ouvir e me entender; talvez porque perdi minha mãe quando mais precisava – uma redundância porque mãe a gente precisa a vida toda -, mas de uma forma estupidamente trágica; talvez porque tenha perdido meu irmão durante a missa dela de sétimo dia; talvez porque tenha perdido meu pai, que havia passado a ser o meu esteio, meses depois.

Esse efeito cascata de amargura não teria sido uma forma de Deus me dizer uma, duas, três vezes o que é a morte física, já que a vida deles ficará dentro de mim eternamente, ou melhor, até que eu partirei também? Será que não foram lições para eu ter a consciência de que a morte é a única certeza da vida, e devo estar preparada para ela?

Sou cristão. Mas apesar de tudo isso, continuo não entendendo ou digerindo essa passagem. Leio, vejo filmes sobre isso baseados nessa realidade, converso a respeito, ouço pessoas com grande espiritualidade, mas... continuo não compreendendo nem digerindo a morte. Quem sabe eu só consiga entendê-la depois que de morrer...

Eis aqui um homem de pouca fé!

É fim de noite. Logo, irei me deitar e orar para Deus, agradecendo por tudo o que me proporcionou hoje: meus filhos, minha esposa, a comida, a saúde... Mas... No fundo, no fundo, ainda direi a mim mesmo: “Menos um dia!”

Se você tem algo que possa me ajudar, interaja comigo, escreva alguma mensagem e deixe nos  comentários.

Amém!

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