estava amargo. Amargo que nem eu. A minha mulher me deu um suave “bom dia”, mas me soou como um trovão. A sensação era de que o mundo acabaria a qualquer momento.
Desconfiado e imaginando o pior,
verifiquei a glicose e a pressão. Incrível! Estavam tão normais quanto o nascer
e morrer do dia. Botei, então, a Alexa para tocar músicas que pudessem me
alegrar; telefonei para os filhos, que sempre me dão palavras motivadoras; li
notícias do meu time, que ontem à noite tinha dado uma goleada... Mas nada.
Continuei amargo como o jiló.
Porém, quando liguei o meu computador e vi que
não tinha nada para escrever - terminei meu
recente livro, ontem à noite -, e estava sem inspiração alguma para começar
algo novo, foi que caí na real, foi que então supliquei: “Por favor, meu Deus,
me ajude a sair dessa!”
Mas
qual não foi a minha surpresa, quando Ele me disse: “Por acaso, você se lembrou
de mim, para agradecer à inspiração que lhe dei, quando colocou seu ponto final
no livro, ontem à noite? Enquanto se deleitou durante todos os dias em que o escrevia,
lembrou de me chamar para ouvir cada página quando lia? Pois se não me convidou
para os seus momentos de alegria, por que está me chamando agora que está
triste?”
E foi
então que tudo se transformou. Orei, pedindo o seu perdão. E qual não foi, mais
uma vez, a minha surpresa, quando me veio a inspiração para escrever. Escrever
justamente sobre isso.

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