Faltando um ano para receber o “privilégio” da Previdência, estudei e me preparei para a famigerada aposentadoria.
Passei noites em claro pensando e fazendo uma lista de tudo
o que eu queria:
- Acordar tarde.
- Assistir Netflix até de madrugada, na cama.
- Fazer caminhada pela manhã.
- Tomar um chopinho com os amigos no bar, antes do almoço.
- Ver futebol na TV a três por dois.
- Viajar.
Mas cometi um grande erro: esqueci que conviver com a minha
mulher, que já estava aposentada, 24 horas por dia, e que ela poderia levar em
conta o seu vício: o uso do celular, que faz a cabeça de todo mundo com a
palavra de ordem, que é “compartilhar”.
Assim, quando acordo “tarde”, por volta das 7 horas, tenho
de fazer a cama e lavar a louça do café. Que depois da caminhada, mal chego no
bar, ela liga, mandando eu comprar legumes e hortaliças para o almo, que devem
chegar à casa urgentemente; que ver a Netflix até de madrugada, tem de ser na TV
da sala, porque se sente incomodada, no quarto; que o futebol, também de ser
com o volume baixo porque, além de atrapalhar a sua novela, preciso ouvir que
sou um otário já que os campeonatos são cheios de corrupção, e todo mundo sabe
quem será o campeão.
Pelo menos devo admitir que sobrou a viagem. Claro que,
nesse momento, estou só planejando, porque, atualmente, as viagens que ando fazendo
é de casa para os shoppings e para a casa da sogra.
Portanto, amigos prestes a se aposentarem, quando forem
planejar suas famigeradas aposentadorias, pensem bem se não será melhor
continuarem trabalhando, para não fazerem como eu, que estou saindo para uma
entrevista de trabalho.

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