Como em todos
os dias, acordei motivado para, assim que fizesse o café, sentar ao laptop e
escrever. Mas qual não foi minha surpresa, quando, ao me fitar no espelho do
banheiro, vi que via mal, que tinham aranhas nas minhas vistas por todos os
lados. E, como se isso não fosse o bastante, só enxerguei sombras.
Eu não pensei
em momento algum no que estava acontecendo, mas, como poderia escrever aquilo
que já tinha em mente e, dentre outras coisas, me dava satisfação de viver.
Lembro que,
durante a consulta com o oftalmologista, tudo o que falei não foi o que senti
nos olhos, mas o que me preocupava sobre a possibilidade de ter de descansar as
vistas e não poder fazer o que mais gosto. Afinal, eu não precisava ver a
mulher que amo, os filhos que adoro, o cão que me enche de alegria, mas os
teclados que contribuem para a minha paixão.
Deus! Não tenho
adjetivos para dizer o que senti, quando fizeram a dilatação das minhas pupilas
e disseram que o risco de uma cirurgia poderia ser iminente. Mas qual não foi a
minha satisfação, quando o médico, após a retinografia, disse que meu
diagnóstico era um tal de “mosca volante”, a qual faz parte da minha idade e
que não necessitava de cirurgia. Claro que fiquei abalado, quando me informou
que teria de descansar meus olhos e que só deveria esperar que tudo voltasse ao
normal.

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