Eu não
acredito que Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Jorge Amado e Paulo Coelho,
dentre tantos grandes escritores, passaram às mãos de leitores beta e/ou
leitores críticos seus originais antes de os enviarem para as editoras.
Talvez você
diga que, por serem escritores fora de série, nunca precisaram desses recursos
para terem suas obras aprovadas. Quem sabe me diga também que isso ocorre hoje
em dia em razão do aperfeiçoamento das editoras, a fim de levarem até o leitor
livros de excelente qualidade literária.
Desculpem,
mas discordo plenamente. O que aconteceu nos últimos anos, foi, com o
crescimento assustador de escritores que desejam publicar a sua primeira obra, o
surgimento de pequenas empresas procurando se aproveitar deles. É a indústria
literária.
Lembro que,
sem a menor pretensão de ser um Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Jorge Amado
ou Paulo Coelho, quando publiquei os meus primeiros livros, era assim: enviava
para as editoras os originais, elas liam, e, depois de certos dias, enviava uma
resposta: sim ou não! Simples assim. Caso desejassem publicar, ela fazia a
revisão gramatical; diagramação; capa; registros; ficando para o autor a
incumbência, caso desejasse, de convidar alguém para fazer o prefácio. Sem que
ele tivesse de gastar um único tostão.
Hoje, as
grandes editoras — pouquíssimas — continuam a usar do mesmo expediente. Porém,
aproveitando-se dos sonhos desses novos autores, como mencionei, surgiram
cursos sobre narrativa; leitores beta para lerem e sugerirem alterações no
texto; revisores; diagramadores; capistas e ilustradores (sem falar nos
registros, como o ISBN e ficha catalográfica), cujos valores — sem falar no
número de exemplares a serem editados — são exorbitantes. É o que chamam de
publicação compartilhada. É claro que muitas ainda oferecem desconto especial
para o autor. Ou seja, dá uma “promoção” para que ele compre o livro de sua própria
autoria, o qual ele mesmo pagou para publicar.
Pois é. Como
nos tempos da vovó, sempre que termino de escrever um livro, tiro cópias e
passo às mãos de pessoas que gostam de ler, a fim de criticá-los. Eles se
distraem, não pago nada por isso, e ainda aceito os seus conselhos.
Foi por isso que, em 2012, resolvi
criar a LF Editora, mas com a intenção de publicar somente os meus livros.
Ainda faço isso até hoje, porém, vendo cada dia essa indústria literária
crescer cada vez mais, passei a colaborar gratuitamente com aqueles que desejam
publicar a sua primeira obra independentemente (a preços justos, já que mostro
o mesmo caminho que percorro para publicar meus livros), ou como deve proceder
para entregar os seus originais devidamente a uma editora tradicional.
Ganhar
dinheiro às custas dos sonhos dos outros é deplorável!

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