Quem não conhece esta música?
Escrita por Renato Russo, um dos maiores roqueiros de ontem,
hoje, amanhã e sempre, em 1978, e lançada somente, em 1987 pela Legião Urbana,
acreditem que hoje – somente hoje — parei para refletir sua letra:
Será que nNesses 46 anos eu me encontrava em coma, ou a vida
me comia a ponto de não perceber o quanto ela queria me dizer?
Russo era somente um sobrenome ou, com uma visão muito acima
da minha geração, queria, driblando a censura, me alertar que tudo já estava
ruço?
Esta letra era somente uma bronca da ditadura, ou uma
previsão de que, hoje, a “dita” continua dura?
Sim, porque...
Se para sobreviver, naquela época, eu vendia o almoço para
comprar o jantar, achando que valia a pena, imagina agora ter de vender o
jantar para comprar o almoço!
Se jogar no bicho tinha de ser escondido porque era crime,
imagina agora poder apostar em sites legalizados pelo governo, os quais compram
jogadores profissionais para dar resultados em benefício próprio!
Se acreditava que o país tinha virado realmente laico, imagina
agora ver que ele não passa de um lacaio!
Se achava que confiar na Fundação Progresso era uma boa, imagina
agora saber que ela não passa de uma fudeção!
Se a gente tinha a certeza de que poderia abrir a boca quando
quisesse, imagina agora que só podemos fazer isso para um dentista!
Se a gente lutasse pela democracia, imagina agora saber que
estamos sob o domínio de um demo do “Só Te Fodemos”!
E se garantiam que eu teria a liberdade para escrever, imagina como me sinto agora correndo o risco de ser mais um bloqueado?

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