PROCURO UM OUVIDO AMIGO

 


Procuro um ouvido amigo. Desculpem a minha frustração, mas hoje preciso me desabafar. Seja como pai, amigo, cidadão, ser humano e mais alguma coisa que possa ser inseridao no que vou dizer.

Escrevo desde os meus 15 anos, quando publiquei o meu primeiro livro. Naquela época, tinha uma pessoa muito especial que me incentivava — minha mãe. E lembro que ela, com a maior paciência, ouvia as minhas poesias, os meus contos, as histórias que desejava contar para todo mundo, sem jamais dizer que tinha de lavar a roupa, fazer a comida, atender meu pai.

Dona Luiza! Era ela que me incentivava a cada palavra, cada vírgula, cada ponto final. Era ela que se tornou a maior mola propulsora de agora estar aqui escrevendo para você que, quem sabe, nem conheço. Aliás, muito obrigado por isso.

Quando digo que procuro um ouvido amigo, não é um amigo que nos deixa alugar sabiamente  o seu ouvido, mas aquele que gostaria de ouvir os meus livros, aquilo que escrevo, que me faz sentir útil ao mundo, o que toma a maioria dos momentos em que estou acordado.

Esse amigo, aquele que ouve os meus desabafos, até que tenho dois ou três e agradeço muito por tê-lo. Refiro-me aos amigos que, por estarem próximos de mim, nunca têm tempo para ler ou mesmo ouvir aquilo que tanto gostaria que me falassem: da sua opinião, da sua crítica e se valeu a pena o tempo que não me dediquei a eles, para fazer uma das coisas que mais amo – além deles, é claro: a minha família.

Num outro blog, falei que tinha pessoas que, antes de publicar um livro, levava a elas os meus originais para saber de suas opiniões. Ainda as tenho. Mas não é o mesmo, pois daria a minha vida para que eles soubessem o quanto gostaria que os meus primeiros leitores fossem eles.  

Claro que Deus é o primeiro que me ouve, quando escrevo e leio em voz alta, apesar de saber que não é preciso fazer para me ouvir, mas...

E o pior de tudo é saber que também não lerão esse meu desabafo!   

 

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