A COR DA ALMA

     Quem me conhece sabe o quanto sou romântico e que foi em razão disso que o meu sangue literário começou a circular nas minhas veias, fazendo escrever as minhas primeiras poesias.

    Isso aconteceu por volta dos meus 15 anos, quando me apaixonei pela primeira vez. Seu nome era Vera e até hoje guardo na memória a primeira poesia que fiz para ela:


“Jurei amar-te com amor bem puro

Jurei e juro e morrerei jurando

Se para amar-te for quem sabe a morte

Eu juro que morrerei te amando!” 

 

    Dizem que o amor é cego, o que discordo, pois ele é milagroso. Pois para provar isso, vejam o que a vida me reservou, e me levou a fazer esta poesia: 

 

A COR DA ALMA

— Que cor é o azul?

Que cor é o vermelho?

Que cor é o verde?

Que cor tem cada cor?

Só não precisa me dizer

Que cor é o preto

Porque é a cor de tudo o que olho.

— O azul é a cor do céu,

O vermelho é a cor do sangue,

O verde é a cor das matas.

 

— Que cor são seus olhos?

— Meus olhos são pretos!

— Pretos como a minha eternidade?

E que cor são seus versos?

 Meus versos não têm cor!

— Como não têm cor

Se agora que eu os ouço

Vejo o céu, o sangue, as matas

E que esta minha eternidade

Jamais será o preto dos seus olhos.

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