AMIGOS

 “Você, meu amigo de fé,

Irmão, camarada...”

 

“Amigo é coisa pra se guardar

Debaixo de sete chaves

Dentro do coração...”

 

    Eu sempre curti meus amigos. Falo dos amigos de fé, desses que guardamos debaixo de sete chaves, desses a quem confiamos nossos problemas e gostamos de estar sempre em sua companhia.

    Claro que se não acreditasse na recíproca verdadeira deles, jamais os consideraria amigos, pois não vejo a amizade como relação unilateral.

 

    Mas... o que está acontecendo com os meus amigos? Cadê aqueles que viviam na minha casa, quando eu fazia um churrasco ou só tinha jogo no Pay-per-view? Cadê aqueles que pediam para eu preparar uma prova em seu lugar porque estavam assoberbados? Cadê aqueles para quem eu dava aulas particulares para seus filhos e, em nome da nossa amizade, só cobrava um copo d’água e um cafezinho? Por eu ter me aposentado e viajado muito, será que, coincidentemente, eles estão sem tempo? Será que aquela máxima que diz “aquele que não é visto não é lembrado” vale para a amizade?

 

    Resolvi fazer um teste. Sempre tomando a iniciativa de enviar mensagens de Boas Festas, Feliz Dia do Mestre, dos Pais, das Mães..., esperei que, nessa Páscoa, eles me enviassem suas mensagens primeiro do que eu.

    Fiquei chocado! Será que criei um mau hábito e, mais uma vez, esperaram que eu tomasse a iniciativa? Acho que sim porque, no final do dia, surpreendentemente, somente 2 amigos tinham me enviado “Feliz Páscoa!”

 

“Faça uma lista de grandes amigos

Quem você mais via há dez anos atrás?

Quantos você ainda vê todo dia?

Quanto você já não encontra mais?”

                                                  

    Se você está cheio de amigos com os quais só troca mensagens no WhatsApp; se você encontra um amigo casualmente, e ficam de marcar um chope para botar a conversa em dia, mas sabe que isso jamais acontecerá; se você nunca tem tempo para eles, talvez seja a hora de fazer sua lista de verdadeiros amigos, como sugere a letra da música acima, A Lista, do Oswaldo Montenegro.

 

    Faça como eu, que também estou me colocando do outro lado da moeda, ouvindo mil vezes a canção do Oswaldo Montenegro, e me perguntando: e eu, será que também não deixei a desejar? Será que mereço fazer parte da lista desses amigos? 

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