Pois bem... Para quem estava de recuperação final em
Matemática e, durante a revisão, em vez de sair da aula com o caderno cheio de dicas
do que cairia na prova, saiu com o caderno repleto de poesias; para quem, num
barzinho, escreveu a letra de uma música na toalha, e, para não perdê-la teve
de levar escondido a toalha para casa; para quem já largou a esposa e os filhos
no meio da Feira da Providência e correu para o estacionamento, a fim de
escrever um capítulo de um livro infantil; para quem, na falta de um papel e
caneta já escreveu num maço de cigarros, molhando a cabeça do fósforo com a
saliva; e até para quem já escreveu nos azulejos, debaixo do chuveiro, com o
lápis de sobrancelha da esposa, será que não sou um cara privilegiado com a
inspiração?
Por outro lado, será que faço marketing pessoal porque reverto
parte dos autorais que recebo para instituições infantis carentes? Faço
marketing pessoal porque doo parte da produção independente dos meus livros
para escolas públicas de certas comunidades? Faço marketing pessoal porque não
cobro nada — ou melhor, um copo d’água e um cafezinho — para conversar com a
garotada nas escolas e sortear meus livros? Será que faço marketing pessoal
porque Deus me deu a dádiva de escrever — escrever até 3 livros ao mesmo tempo
—, cujas críticas e a adoção recorrente dos mesmos, nas escolas, e isso me dá a
certeza de que, graças a Ele, não escrevo somente quantidade, mas qualidade?
Essa foi a minha resposta ao interlocutor, que ficou mais
desconcertado ainda quando — com certa ironia, confesso —, concluí: “Já
imaginou o que vai me perguntar, quando receber 4 convites — um para cada livro
—, convidando-o para o lançamento de meus mais recentes livros a serem
lançados, simultaneamente, na Bienal de São Paulo, este ano?”

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