Certa vez, coloquei alguns livros de minha autoria para serem vendidos na banca de jornais do seu Lupércio – aquela que fica em frente ao Colégio Primus, onde lecionei por 17 anos.
Sempre fui de chegar bem cedo, o que me dava tempo de tomar
um cafezinho na esquina e bater um bom papo com o Lupércio (Que Deus o tenha!).
Numa dessas manhãs, vi um pai entrar na banca com seu filho
de mais ou menos 10 anos e comprar R$ 70,00 de figurinhas para ele. Lupércio — talvez
porque eu estivesse ali — resolveu abordar o pai, mostrar meus livros e dizer,
ainda, que eu era o escritor dos mesmos. Tenho certeza de que não estava
sonhando, pois o que vi naquele menino foi um grande flerte no Possante,
Apaixonado e Apaixonante. E seu olhar ficou mais iluminado ainda, quando
Lupércio disse que eu poderia fazer uma dedicatória e, claro, autografar o
livro.
Resumindo: sem que seu pai tivesse comprado o livro, o
menino deixou a banca, olhando para trás e me mirando. Que olhar! E qual não
foi a minha surpresa, quando o pai ignorou tudo isso, e, como se as figurinhas
tivessem sido compradas para ele, saiu calçada afora abrindo os pacotinhos.
Tive ainda a oportunidade de ouvir o pai, em meio àquele
olhar infantil, dizendo ainda: “Essa figurinha nós temos! Essa nós não temos...!”
Para quem tem 4 filhos e convive intensamente com crianças, não tive outra
atitude a não ser correr até a entrada da escola (me refiro ao Garriga de
Menezes), e levar um exemplar de Possante, Apaixonado e Apaixonante para aquela
criança.
Naquele momento, com o turbilhão de crianças entrando na
escola, só tive tempo de ver que o menino colocou o livro na mochila e
desapareceu no meio dos colegas. Mas qual não foi a minha surpresa, quando,
certo dia, ao abrir meu site — luizfernandoabreu.com.br —, tinha a mensagem de
sua mãe, em nome dele, agradecendo. Porém, o maior autoral que eu já pude
receber, como escritor, foi quando, meses depois, ao lançar um novo livro —
Vovô Sol e o Arco-Íris Emburrado —, no RioShopping, ele me surpreendeu ao levar
O Moleque Cidadão para que eu pudesse autografá-lo.

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