Fiz o famigerado Imposto de Renda. Esse tal de Leão que, coitadinho, não tem nada a ver com a mordida da Fazenda. Comparado com ela, é um gatinho. O certo seria a mordida do crocodilo, que, apesar de chegar aos inacreditáveis 2,267 Kg de força, é aquele que mais se aproxima desse Leão.
Como
gosto de viver perigosamente — nome mais adequado para quem está aposentado,
gasta quase tudo em remédios e ainda é descontado pela Previdência —, resolvi
sonegar. Isso mesmo! Após fazer questão de pegar recibo até de pedicure, e fazer
várias simulações — sozinho e fazendo a declaração conjunta com a minha mulher
—, e chegar à conclusão que estaria ferrado do mesmo jeito, finalmente resolvi bancar
o Harison Ford, e, numa de suas maiores emoções como Indiana Jones, enviei a
declaração.
Mas, como
diz o velho ditado “Quem tem... tem medo”, rezei 10 Pai Nosso, 20 Ave Maria e
pedi a todos os orixás que me livrassem da malha fina.
Embora
não tivesse direito a nenhuma devolução, o fato de ter de pagar somente o equivalente
a 5 caixas de anti-hipertensivo, 3 caixas de diurético, 8 caixas para hiperglicemia,
1 caixa para hiperplasia da próstata e uma caixa de Rivotril, foi motivo para estar
feliz da vida e comemorar.
Eu
havia acabado de deixar o bar, quando ouvi o bicheiro dizer que tinha dado leão
na cabeça. Seria um sinal? Tolice minha, pensei em seguida. Com tantos milhões
de brasileiros sonegando, logo eu, um professor aposentado, cairia na malha
fina? Mas confesso que tomei um Rivotril.
Mais
tarde, lendo o jornal, minha mulher, que nunca me pede o segundo caderno, disse
que queria ver o horóscopo. Seria um novo sinal? Claro que não! Coincidência na
certa. Mas, preventivamente, tomei outro Rivotril. Ela é leonina.

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