Será que juntando tudo isso – familiares, amigos, alunos, colegas -, é o suficiente para ser famoso e não ter meu projeto literário aprovado pela Lei Rouanet?
Explico:
ciente de que essa Lei é clara, quando diz que as verbas são para autores de projetos
culturais e artísticos, que não são famosos, tive a pretensão de passar dias e
noites bolando um projeto que estimulasse a leitura às crianças do ensino
fundamental I das escolas públicas do Rio de Janeiro.
Resumindo:
o projeto teria a duração de um ano, abrangendo 100 escolas públicas, onde 2
livros de minha autoria, mais a minha presença em cada uma delas para conversar
e autografar os livros da garotada, assim como a presença de uma contadora de
histórias, pleiteavam o custo por aluno de 2,00. Diga-se de passagem, esse
valor não é pago pelo governo, mas captado de empresas, as quais podem
descontar no Imposto de Renda parte do seu investimento.
Mas
qual não foi a minha surpresa, quando soube que o projeto tinha sido
indeferido, com a alegação de que não se tratava de cunho cultural e, sim,
educacional. Mas o pior foi quando, dias depois, vi que shows de certos
cantores e montagem de peças de certos atores – que certamente são
“desconhecidos” -, tinham sido aprovados. E tem mais: qual não foi a minha maior
surpresa, quando solicitei a devolução das cartas de anuência das secretarias
municipais de educação, aderindo ao projeto, e recebi a resposta de que as
mesmas haviam sido extraviadas.
Entendem
agora por que sempre digo que sou um lambari lutando contra enormes tubarões?
Para
vários artistas, a lei pode, de fato, ser chamada de Rouanet, mas para mim, só
tenho a dizer: “Rua Neles!”

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