Se dizem que um homem para se realizar deve plantar uma
árvore, escrever um livro e ter um filho, que me desculpe o Cazuza, mas vou
pleitear a música de sua autoria, que diz “Eu sou mesmo exagerado”, porque
ninguém é mais exagerado do que eu, nesses quesitos.
Digo isso com a máxima tranquilidade, e até desafio qualquer
pessoa a disputar comigo esse codinome. Senão, vejamos:
1) Quando criança e adolescente, passava as férias de verão
no sítio de meu avô, em Sepetiba, e foi o lugar em que aprendi a curtir a
natureza. Foi onde ele me ensinou a plantar as primeiras sementes e as
primeiras mudas, as quais, certamente, faziam florescer em mim o desejo de
estudar e me tornar um biólogo. E foi justamente no curso de Ciências Biológicas,
que comecei a me tornar um exagerado neste quesito, pois não só peguei o hábito
de plantar frequentemente, como, mais tarde, levei para os meus alunos projetos
de botânica em que o objetivo era plantar em suas mentes que o dia 21 de
setembro – Dia da Árvore – não era a única data para se plantar.
2)Publiquei o meu primeiro livro aos 15 anos, quando me
apaixonei. Eram poesias românticas, que, sendo um romântico e namorador,
multiplicaram-se (tanto livros quanto garotas, é claro). Com o tempo, porém, outros
gêneros me inspiraram – infantil, juvenil, romance e até humor -, que hoje, contando
com 21 livros publicados, e mais 4 para serem lançados este ano, na Bienal de
São Paulo, só me fazem acreditar que sou realmente exagerado também neste
quesito.
3) E os filhos? Bem, que me conste, já que ninguém bateu à
minha porta, alegando que sou pai de mais alguém, também não posso dizer que
não houve um certo exagero na minha vida, uma vez que, legalmente, registrei 4
herdeiros. Herdeiros que, diga-se de passagem, são maravilhosos.
E, como Cazuza não está mais aqui para me contestar, pergunto:
tem alguém por aí que me desafie a tanto exagero assim?
Exagerado, eu não sou mesmo exagerado?

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