A POÇA D’ÁGUA

    Eu nunca escondi que, de todos os gêneros que adoro escrever — romance, suspense, poesia, humor e literatura para todas as faixas etárias da garotada —, este último é aquele que mais mexe comigo. Por isso, como minha alma literária já estava se coçando para postar aqui algo desse gênero, hoje acordei determinado.
    Escolhi a Poça D’Água, que é um miniconto, porque está na minha alça de mira para um futuro muito próximo: tornar-se-á um dos primeiros textos a fazerem parte dos Áudio Books do canal de YouTube que breve terei. Além disso, porque foi premiado e publicado não somente pela Revista Conexão Literária, em outubro de 2021, como foi classificado no concurso de literatura infantil da Cidade de Sevilha, na Espanha, em 2018. Aliás, esta versão em espanhol, será minha próxima postagem.
*Se você é professor do primeiro segmento do Ensino Fundamental e gostaria de usá-lo na interpretação de texto de uma de suas avaliações, eu autorizo. 
 
 
Eu ia por meu barquinho de papel numa poça d´água quando me assustei:
             - Que fracasso! – ela dizia. - Vim do céu para ser importante e acabei virando uma poça!
        Confesso que fiquei muito triste, mas como tinha uma grande razão para consolá-la, disse a ela na mesma hora:
              - Você é água, e a água é uma das coisas mais importantes da vida!
          Mas, infelizmente, me ignorou.
          À noite, percebendo que o céu ficou estrelado, e a vaidosa lua cheia admirou-se nela, não hesitei:
              - Que luxo, dona Poça! Ser o espelho da lua é privilégio! – disse imediatamente.
          Mas também foi inútil.
              - Daqui a pouco amanhecerá, e não terá mais lua. Logo, voltarei a ser a mesma poça! – lamentou de novo.
          Na manhã seguinte, porém, vendo da minha janela os pássaros banharem-se felizes em suas águas, insisti:
              - Viu só, dona Poça! De inútil a senhora não tem nada. Ser uma piscina para eles é muito importante!
          Mas, como era cabeça dura mesmo...
              - Logo, todos eles voarão, e tornarei a ser essa pobre poça! E o pior - disse ainda -, é que o sol vai me secar e, breve, nem poça serei mais!
          Hoje, voltou a chover. Mas, quando o tempo se abriu e eu cheguei na janela, qual não foi minha surpresa ao rever a dona Poça. E estava tão radiante que até fazia marolas!
            - Posso saber o porquê da euforia? – perguntei, imediatamente, curioso.

          - É que descobri que sou renovável! Que subindo ao céu, transformando-me em nuvem e caindo novamente, como chuva, sou eterna! Além disso, ser o espelho da lua e a piscina dos pássaros me fará muito importante – comentou incontida de felicidade. – E quanto a você, meu amiguinho – disse ainda -, venha logo brincar comigo porque estou ansiosa para ser o mar do seu barquinho de papel.

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