Eu não fui somente professor. Nas minhas andanças profissionais, trabalhei na área de vendas.
Tive
sorte. Depois de algum tempo, fui promovido ao cargo de supervisor e, vejam só,
juntamente com meu gerente, tive a responsabilidade de escolher o candidato que
tomaria o meu lugar.
Nesse
dia, a minha experiência foi inusitada. Não só pela pergunta que meu gerente
encerrava a entrevista, como pelas respostas dos candidatos.
Pois
bem, o candidato entrava, se apresentava e, após perguntarmos sobre suas
experiências profissionais, objetivos na empresa, pretensão salarial, o meu
gerente encerrava a entrevista perguntando: “Quanto são dois mais dois?”
O
primeiro candidato, assim como eu, surpreendeu-se com a pergunta, porém, foi
taxativo: “Dois mais dois são quatro!”
Resposta obviamente certa, que não só teve o sorriso do meu gerente, como
a recomendação de que ele aguardasse em casa o contato da empresa.
O
segundo candidato foi no mesmo tom. Porém, já não se surpreendeu tanto com a
pergunta, e foi até audacioso na resposta: “Ora, quem trabalha com vendas sabe
que dois mais dois são cinco!”
Resposta
que fez com que meu gerente abrisse um sorriso de orelha a orelha, porém,
pedisse que ele aguardasse em casa um contato da empresa.
A
entrevista do terceiro candidato foi uma reprise entediante. No entanto, quando
lhe foi feita a pergunta-chave, e vi que o sorriso do meu gerente fez com que
os cantos da boca se encontrassem na nuca, não tive dúvida: a vaga seria dele.
“Quanto são dois mais dois?”, o gerente
perguntara.
E numa
resposta rápida e precisa, ele disse:
“Qual o
resultado que o senhor deseja que eu responda?”

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