A FELICIDADE MORA AO LADO (MORA MESMO?)

 


                   Por vezes, ouvi nos bate-papos da esquina, ou até mesmo na minha casa, que família feliz deve ser aquela do doutor Soares, um cardiologista, cuja esposa é juíza, e tem um filho de 10 anos, que estuda num dos melhores colégios do bairro.

                Será feliz porque, nos finais de semana, a casa está sempre em festa, repleta de convidados e regada ao melhor uísque escocês? Será porque, na garagem, tem dois carrões, jet-esqui e uma moto de 500 cilindradas? Ou será porque tem piscina, sauna, quadra poliesportiva, além de jardineiro, cozinheira e arrumadeira para cuidar de tudo?

                Será também porque costuma passar férias na Europa e acabou de comprar um apartamento em Miami? Ou será porque, quando raramente aparece na esquina, paga rodada de chope para todo mundo?

                Semana passada, o doutor Soares me perguntou se eu poderia conseguir uma professora particular para o Thiago, seu filho. Mas, antes que fizesse contato com uma colega, resolvi bater um papo com o menino, para dar subsídios a ela. Ou seja, em que ano ele estava, quais as matérias em que tinha dificuldade, etc. E qual não foi a minha surpresa em perceber que o seu grande problema não estava no cognitivo ou no desempenho, mas na disciplina, pois fiquei horrorizado, quando me mostrou a quantidade de advertências recebidas.

                “O que está acontecendo, Thiago?”, perguntei, então.

                “Nada!”, ele disse, emburrado, inicialmente.

                “Se tem tudo, o que está te faltando? Você não está feliz?”

                Esta noite, fui dormir com a sua breve resposta. E agora, que me sentei para escrever, continuo com a sua resposta me batendo na cabeça:

                “Tio, aqui em casa, só o Scott é feliz. Meu cachorro!”  

POEMAS DE BANHEIRO


             Quem nunca entrou num banheiro público e encontrou atrás das portas dos espaços privativos “poemas” de grandes autores? Digo “grandes” porque, além de nos fazerem refletir com suas obras, são de rara humildade porque são anônimos.

                Certamente que hoje em razão de levarem o celular para o banheiro, muitas pessoas perdem a oportunidade de aumentarem sua cultura. Vejam esses poemas, que se encontram no meu livro Várias Maneiras de Provocar um Ataque de Nervos num Professor, os quais encontrei atrás das portas dos banheiros de diversas escolas:

                Caro colega:

              

“ Se acabou o papel

                E a Inês é morta,

               Limpe-se com a cueca

               E não com o dedo na porta”

 

***

 

                A um professor de Física:

 

               “Olhando o que fiz na privada

               Aprendi o que é densidade.

               Que aula prática e profunda!

               Pra que teoria, ó mestre?

               Bastava que me dissesse:

               Olha com a merda não afunda!”

 

***

 

                 Aos professores em geral:

                

    “Se querem também sentir

                  A dor da reprovação,

                  Enfiem nos seus traseiros

                  O que tenho agora na mão!”

 

             

 ***

 

                 “Defecar é tão bom

                 Que defecar é do universo

                 Defecar em silêncio ou com som

                 Chega a nos dar um dom

                 Que defecando eu fiz este verso”

 

***        

               

                Às professoras idosas:

                “Vocês já viram no espelho

                Seus peitos quando sem roupa?

                De pé vão até os joelhos,

                Sentadas, caem na sopa,

                E o traseiro, que maneiro,

                Parece um motor de popa!”

RIO GRANDE DO SUL

 Não é possível que, com toda a catástrofe dos nossos coirmãos, haja pessoas que se aproveitem disso para fazer política!

É nojento! Seja quem for da direita, da esquerda, do centro ou de qualquer ponto cardeal político, estamos vivendo uma catástrofe em que deve estar, acima de tudo, nossa solidariedade.

Com meus 69 anos, jamais imaginei que, após as recorrentes imagens da guerra de Israel e da Ucrânia, pudesse ver tamanha catástrofe no mundo, como essa!

Mas também jamais imaginei que pudesse ver partidos tomarem partido disso para se mostrarem, fazerem média com o povo ou combater a oposição.

Nesse país, que sempre tive orgulho de trabalhar como professor, dedicar horas a fio para levar aos meus alunos uma sólida formação cidadã, tivesse profunda vergonha de certas pessoas, que se aproveitam para colocar suas estampas, seus nomes na m
ídia.

Política verdadeira é o que faz nosso povo, que já é sofrido, dar a sua contribuição para nossos irmãos. Um exemplo para essa corja que ganha fortuna e nada faz a não ser “governar” em causa própria.

O Rio Grande do Sul é grande e continuará sendo, graças a qualquer tostão ou bem material que a ele seja doado. Sejam toneladas de alimentos de grandes empresários ou das orações de quem não tem nada para doar. Seja no meu amigo que ganha muito bem ou simplesmente no neto do meu vizinho, que fez questão de doar a sua mesadinha.

Vamos lá, deputados e senadores, que usam os recursos do governo em benefício próprio! Levantem suas bundas das cadeiras acolchoadas e felpudas, deixem de aparecer nas entrevistas da Globo, da CNN e tantas outras emissoras, e façam também a sua parte: doem seus fundos eleitorais em prol de quem precisa!    

Eu estou fazendo a minha parte. Abri mão de todos os autorais dos meus livros por tempo indeterminado (os mesmos autorais, que havia reservado para pagar o DPVAT de 2023 e 2024) em prol daqueles que certamente perderam seus carros e motos). E vocês?!

Que bom ter aprendido que NINGUÉM É TÃO POBRE QUE NÃO POSSA DOAR, E NEM NINGUÉM É TÃO RICO QUE NÃO POSSA RECEBER!

PROGRAMA DO JÔ


 Quando publiquei meu primeiro livro de humor “Várias Maneiras de Provocar um Ataque de Nervos num Professor”, em 2015, cujo prefácio foi do sensacional Juca Chaves, enviei um exemplar para a produção do programa do Jô Soares, com a pretensão de ser convidado para uma entrevista.

Alguns dias após, recebi uma resposta do próprio Jô, agradecendo o livro, pedindo que em razão da agenda do programa estar lotada, eu aguardasse uma oportunidade, mas me convidando para colaborar com as famosas “pérolas” dos estudantes, que ele costumava dizer na abertura dos seus programas.

Vai daqui, então, algumas das minhas contribuições, que aconteceram através de outros colegas professores, ou que me estarreceram nas próprias salas de aula:

Perguntas:

 “Nas Serras Gaúchas tem praia?”

“Ácido tartárico é aquele que o dentista usa para retirar o tártaro dos dentes? Ele também é usado para fazer o molho tártaro?”

“Condensação não é a passagem do estado líquido para o sólido do leite condensado?”

“Parênteses não são pessoas que pertencem à mesma família?”

“Cabaça não é o nome que se dá no Nordeste à mulher virgem?”

“Força centrípeta não é o oposto de força contrípeta?”

“Vos reflexiva não é a voz da consciência, que faz a pessoa refletir?”

“Varicela não é o diminutivo de varize?”

“Verbos defectivos não são verbos usados que defecam uma frase, como ‘borrar’ e ‘cagar’”?

Afirmações:

“Atrito é doença de velho que dá nas articulações”

“Cartesiano é o nome que se dá quando se encontra água num poço”

“Glutão é quando uma pessoa tem a bunda muito grande”

“Hífen é a membrana que tapa a entrada da vagina das virgens”

“Fonema é a ligação telefônica que ninguém diz nada”

“Depauperado é quando um homem faz cirurgia de fimose”

“Retrovírus é o vírus que só pode ser visível pelo retroprojetor”

“Seminário é o banco de sêmen”

CONSELHO DE CLASSE

 

(ESSE CONSELHO EU NÃO DOU PARA NINGUÉM)

 

Como coordenador de uma escola particular, eu quis inovar no último bimestre.

Relacionando-me maravilhosamente bem com os professores, quis juntar o útil ao agradável: fazer o Conselho de Classe na minha casa, que era super espaçosa, tinha churrasqueira e piscina, onde, após discutirmos nossas responsabilidades, faríamos um churrasco.

Na sombra, juntei as mesas da área gourmet, da cozinha e da sala para que coubessem todos os 15 professores.

Preocupado, no entanto, com o churrasco, cedo coloquei carvão na churrasqueira e, sei lá por que cargas d’água, resolvi fazer um “leite de onça” (cachaça com Leite Moça), apesar de a geladeira estar lotada até a boca de cervejas.

Tudo corria como planejado até que o professor de Literatura chegou mais cedo e, precisando de alguém que provasse o “leite de onça” para saber e estava no ponto, ofereci uma dose, que, claro, também provei. Mas, como a taça era muito pequena, provamos mais duas doses.

Estava ótimo. Até que a professora de História chegou e também quis prová-lo. E como eu e o professor de Literatura também nos servimos...

Como todo professor exige que seu aluno não entre em sala atrasado, mas ele está sempre atrasado nos seus compromissos, não contávamos que, esperando pelos colegas, a primeira garrafa ficasse vazia.

Piorou, quando a professora de Geografia chegou com os diários de classe e informações sobre cada aluno, mas trazendo, também, bolinhos de bacalhau. Já experimentaram bolinhos de bacalhau com “leite de onça”? É uma combinação perfeita.

Que a verdade seja dita: ela não bebeu nada, mas foi uma irresponsável, quando mudou o CD de música instrumental, que eu havia colocado para criar um espírito leve na Conselho, por outro, que era de samba. Pode parecer coisa maldita, mas vocês já experimentaram a combinação de “leite de onça,” bolinhos de bacalhau e samba? Garanto que, se os professores de laboratório de Química soubessem a liga que isso dá...

Nem é preciso dizer que os bolinhos de bacalhau e a segunda garrafa de “leite de onça” ficaram para contar histórias para os professores que ainda estavam atrasados.

Pior ficou ainda, quando minha esposa, coitada, querendo agradar, colocou sobre as mesas amendoins e batatinhas fritas. E como os bolinhos de bacalhau já tinham acabado, será preciso dizer que esses salgadinhos também combinam magnificamente com leite de onça e samba?

Como anfitrião e o responsável pelo Conselho, confesso que não vi o momento em que os derradeiros professores chegaram, mas vi a hora em que já tinham colocado fogo na churrasqueira e quase colocaram fogo também na casa. Vi também o instante em que a professora de Matemática jurava que dois mais dois eram cinco. E mais: o professor de Educação Física enfiar a mão na privada porque seu celular tinha mergulhado nele antes de dar a descarga; que a professora de Inglês parecia falar Hebraico; a de Espanhol tropeçou em si mesma e caiu na piscina, pedindo socorro porque não sabia nadar, apear da sua profundidade só ter 50 centímetros; o professor de Biologia, pedindo mais um dose, porque queria se encontrar com o gene da onça para saber por que, através de seu leite, deixava todo mundo feliz; e o professor de Informática, que, olhando para o céu, dizia que estava vivendo uma realidade jamais imaginada: sentia-se verdadeiramente na nuvem.

Resumo da ópera: como era um coordenador extremamente responsável, na segunda-feira suspendi as aulas para que todos se recuperassem da ressaca – eu também, é claro -, e fizéssemos o Conselho de Classe. Com muita água e dipirona.

BURNOUT

Esta semana recebi um dos meus filhos, que mora em São Paulo, para passar uns dias em casa.

Feliz por recebê-lo, mas infelizmente não por motivo de férias ou feriadão, e sim, pelos dias  que recebeu de licença por conta do burnout.

Esta experiência eu já havia passado com o outro gêmeo, que, há 2 anos, sofreu esse mesmo  problema nervoso, causado por trabalho excessivo. Sem falar nas 2 filhas mais velhas, que, se não foram acometidas desse mal, estiveram à beira dele.

Uma pergunta me veio à mente: será que aqueles longos estresses que senti, quando vivia sob pressão, corrigindo provas, lançando notas, criando projetos pedagógicos e fazendo inúmeras avaliações eram burnout ou simplesmente estresses?

Sei que isso não é coincidência nem menos genético. Principalmente, quando tomo conhecimento de que meu vizinho está diagnosticado com burnout; que um amigo está com burnout; que fulano e ciclano estão com burnout; que um canal de TV vai fazer uma série de reportagens sobre burnout, enfim, que até de tanto ouvir e ler sobre burnout posso ter burnout.

Brincadeira à parte, lendo e me informando, sei que burnout não se trata simplesmente de burnout, o qual se resolve com um Rivotril. É algo que me faz ter a certeza de que aquilo que senti foi simplesmente um minúsculo problema diante desse tal de burnout.

Não! Não foi a pandemia a responsável por seu aparecimento. Isso já vinha acontecendo há muito tempo. Foram os gulosos empresários desse mundo capitalista selvagem os culpados. Sim, porque, contratando principalmente jovens que buscam estabilidade profissional e realização financeira, sujeita-se a trabalhar 16 horas por dia ou mais. E como patrão não tem coração, são práticos quando seu funcionário entra em parafuso. Como o mercado está cheio de jovens buscando essas conquistas, troquem-nos como trocam as suas cuecas diariamente.

Burnout é algo muito sério, que precisa ser tratado mundialmente, como as guerras na Ucrânia e em Israel.

Que nossos políticos, pelo menos aqui, olhem para isso com muito colírio nos olhos.

Eu ainda teria muito para falar a respeito, mas, como nesse momento, preciso saber do meu filho como foi a sua sessão com a psicóloga...


LEI ROUANET

                 Será que juntando tudo isso – familiares, amigos, alunos, colegas -, é o suficiente para ser famoso e não ter meu projeto literário aprovado pela Lei Rouanet?

                Explico: ciente de que essa Lei é clara, quando diz que as verbas são para autores de projetos culturais e artísticos, que não são famosos, tive a pretensão de passar dias e noites bolando um projeto que estimulasse a leitura às crianças do ensino fundamental I das escolas públicas do Rio de Janeiro.

                Resumindo: o projeto teria a duração de um ano, abrangendo 100 escolas públicas, onde 2 livros de minha autoria, mais a minha presença em cada uma delas para conversar e autografar os livros da garotada, assim como a presença de uma contadora de histórias, pleiteavam o custo por aluno de 2,00. Diga-se de passagem, esse valor não é pago pelo governo, mas captado de empresas, as quais podem descontar no Imposto de Renda parte do seu investimento.

                Mas qual não foi a minha surpresa, quando soube que o projeto tinha sido indeferido, com a alegação de que não se tratava de cunho cultural e, sim, educacional. Mas o pior foi quando, dias depois, vi que shows de certos cantores e montagem de peças de certos atores – que certamente são “desconhecidos” -, tinham sido aprovados. E tem mais: qual não foi a minha maior surpresa, quando solicitei a devolução das cartas de anuência das secretarias municipais de educação, aderindo ao projeto, e recebi a resposta de que as mesmas haviam sido extraviadas.

                Entendem agora por que sempre digo que sou um lambari lutando contra enormes tubarões?

                Para vários artistas, a lei pode, de fato, ser chamada de Rouanet, mas para mim, só tenho a dizer: “Rua Neles!”

 


RESPOSTAS DE UM CORAÇÃO LITERÁRIO


Nas minhas andanças pelas escolas, quando, que nem um pinto do lixo, vou feliz da vida conversar com os jovens e autografar seus livros, tenho recebido cada pergunta, que, às vezes, me surpreendo.

Outro dia, um deles me perguntou por que escrevo e publico tanto, se no nosso país não existe o hábito de ler, já que ler é uma droga.

Então, eu disse:

— Simples assim: escrevo porque amo, e quando fazemos aquilo que amamos, somos felizes. Por isso que, mesmo sabendo que para muita gente ler é uma droga, prefiro ficar com a minha droga do que com aquela de muita gente, que não suporta ler nem sabe o mal que está fazendo à sua vida.

******

“Hoje terminei um best-seller”, disse durante uma palestra.

“Como assim, se não sabe se alguém vai comprá-lo?”, perguntou-me um deles.

— Simples assim: o meu best-seller não está na quantidade de livros que serão vendidos, nem tampouco no dinheiro de autorais que poderei ganhar. Basta que um único leitor gaste algumas horas de leitura, curtindo o que escrevi, que valerão muito mais do que os dias e as noites que passei o escrevendo. Isso, não tem dinheiro que pague.

 

******

Mas teve um jovem que me fez uma pergunta super legal:

“Cara, e se você não tiver mais inspiração? Já pensou nisso? O que vai acontecer?”

Dessa vez, não foi simples assim, mas não demorei a lhe dar a resposta:

— Acho que isso jamais vai acontecer. Primeiro porque Deus, que me deu esse dom, não vai me abandonar. Segundo porque tenho inúmeros projetos de vários livros guardados, que tive com inspiração, e poderei concluí-los. E terceiro porque, se isso realmente acontecer, será sinal de que terei cumprido a minha missão, aqui na Terra, e estará na hora de passar a escrever lá no céu.

A DISLALIA

Dois amigos se encontram e se cumprimentam:
                - Bom dia, Sélio!
                - Bom dia, Tonho. Só que o meu nome não é Sélio, é Délio! Vê se não esquece!
                - É que eu tenho sislalia!
                - Sislalia?! Você não está querendo dizer dislalia?
                Dias depois, eles voltam a se encontrar, e, animadíssimo Tonho diz ao amigo:
                - Sélio, que tal a gente passar esta noite num prostíbulo?
                - Seria formidável, mas, infelizmente, eu não tenho nenhum tostão!
                - Isso não vai ser problema. Eu pago tudo!
                - Tudo?! Tudo mesmo?! Como assim, se você é tão duro quanto eu?
                - É que comecei a trabalhar numa empresa nova, e ganhei um cartão que dá direito a essas coisas.
                - Tem certeza?!
                - Tenho! E ele diz que eu posso “comer” qualquer coisa!
                - É mesmo?! E que cartão é esse, que eu nunca ouvi fala?
                - É “dosexo”
                - Tonho! – eis que Délio cai na gargalhada, e diz: – Essa sua dislalia vai acabar te matando. O cartão é um vale-refeição, e o nome correto dele é “Sodexo”.



O MELHOR AMIGO DO HOMEM

                Um dia caí na gargalhada, assim como muitos de vocês, quando o então Ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, durante o governo Collor, disse que “cachorro também é gente”. Hoje, porém, peço humildemente desculpas a ele, pois que santa ignorância a minha de não ter, naquela época, a capacidade de alcançar as suas sábias palavras.

                Desculpe, sim, porque somente agora, depois desse tempo todo, quando continuei me afrouxando de risos toda vez que alguém comentava essa “gafe”, aprendi que ainda bem que temos um animal para ser o nosso melhor amigo. Infelizmente. Sim, infelizmente, porque nós, animais racionais – é o que diz a Biologia -, é que deveríamos ser o melhor amigo de nosso semelhante.

                Desculpe, sim, ex-ministro, porque foi preciso conviver com “amigos” – e por que não falar familiares -, e conviver com um cão, chamado Darwin, um cãozinho de raça desconhecida - seria ultraje chamá-lo de vira-lata -, que me ensinou a compreender as palavras de Rogério Magri.

                Nossa! Aquela hora em que chegamos em casa e a sua cauda gira mais do que hélice de ventilador; que nos olha com ternura, “dizendo” palavras que nos confortam quando estamos aperreados; que sabe se deitar no nosso colo, dando ou pedindo um cafuné; que “fala” o quanto nos ama... Desculpe, ex-ministro.

                O cão nem me pertence – é do meu filho Igor. Não mora comigo, mas sinto saudade quando ele não pode trazê-lo para passar uma tarde comigo. E sei que não estou louco, quando, numa videochamada, faço questão de mexer com ele, olhar para ele... E quando lá do outro lado da linha, aquele “cara” levanta a orelha agradecendo...

                Assistindo aos noticiários das guerras da Ucrânia e de Israel; vendo o machismo dos homens assassinando mulheres porque não aceitam o final de seus relacionamentos; mães descartando seus bebês em banheiros de rodoviárias; bêbados atropelando pessoas... Mais me convenço de que preciso deixar um conselho – que talvez seja tão ironizado como aquilo que disse o Magri -: adotem um cão! Garanto que, dentro em breve, o mundo estará repleto de pessoas de bem, e, consequentemente, os cães terão concorrência sobre o melhor amigo do homem.

                Desculpe, Magri! Obrigado, Darwin!  

Que dia memorável!

 


Que local tão aprazível, que saí de lá com o coração e a alma renovados, nas alturas!

                Eu poderia, sim, estar me referindo a uma igreja, uma sinagoga, um culto, mas não. Estou me referindo a uma ESCOLA. Isso mesmo! ESCOLA com todas as letras maiúsculas, como todas as escolas do nosso país deveriam ser escritas.

                ESCOLA em que tive a honra de ser um dos convidados para abrir a sua Segunda Feira Literária. ESCOLA que me acolheu de braços e coração tão aberto quanto quentes, e que fez me sentir como se estivesse entrando na primeira escola como escritor, ou fosse o maior – talvez o único – escritor deste planeta. Ou seja, realizar o sonho de quando estou escrevendo meus livros, penso justamente no leitor, no aluno, no cidadão.

                Que manhã e tarde memoráveis, quando pude me dirigir a mais de uma centena de crianças e jovens alegres, motivados, respeitadores, e falar da importância da escrita e da leitura em suas vidas, não só contribuindo a sua formação cidadão, como – quem sabe -, plantando sementes para o nascimento de novos escritores.

                Na quadra de esportes, onde pude degustar dos maiores momentos de emoção, também pude constatar o trabalho pedagógico da escola. Algo que fez com que, nos meus 46 anos de magistério, ainda acredite na Educação como a maior ferramenta para um mundo melhor.

              ESCOLA, obrigado por dar e receber. Sim, receber porque também aprendi com a garotada,  através das suas ideias, sugestões, respostas, o quanto eu, um cara de 69 anos, posso aprender com essa petizada.

                Alunos, professores, funcionários, direção, muito obrigado pela acolhida.

                Ah! Esse templo de Educação tem nome e endereço: Centro Educacional Chambarelli

              Rua Paiva, 233 – Quintino – Rio de Janeiro.

A MORTE OU A VIDA ETERNA


         13 horas, final do último tempo na escola. Não foi uma, duas ou centenas de vezes que ouvi um aluno dizer: “Graças a Deus, mais um dia!” Mas eu, com bom humor, sempre retruquei: “Que bom pra você, porque, pra mim, é menos um dia!”

Na verdade, esse bom humor sempre teve um quê de verdade, pois confesso que nunca entendi ou digeri a morte. Talvez porque tenha perdido o meu avô materno – um homem que foi realmente pai duas vezes na minha vida – quando passava por momentos bastante turbulentos; talvez porque tenha perdido a minha avó materna, que tinha um ouvido magnífico para me ouvir e me entender; talvez porque perdi minha mãe quando mais precisava – uma redundância porque mãe a gente precisa a vida toda -, mas de uma forma estupidamente trágica; talvez porque tenha perdido meu irmão durante a missa dela de sétimo dia; talvez porque tenha perdido meu pai, que havia passado a ser o meu esteio, meses depois.

Esse efeito cascata de amargura não teria sido uma forma de Deus me dizer uma, duas, três vezes o que é a morte física, já que a vida deles ficará dentro de mim eternamente, ou melhor, até que eu partirei também? Será que não foram lições para eu ter a consciência de que a morte é a única certeza da vida, e devo estar preparada para ela?

Sou cristão. Mas apesar de tudo isso, continuo não entendendo ou digerindo essa passagem. Leio, vejo filmes sobre isso baseados nessa realidade, converso a respeito, ouço pessoas com grande espiritualidade, mas... continuo não compreendendo nem digerindo a morte. Quem sabe eu só consiga entendê-la depois que de morrer...

Eis aqui um homem de pouca fé!

É fim de noite. Logo, irei me deitar e orar para Deus, agradecendo por tudo o que me proporcionou hoje: meus filhos, minha esposa, a comida, a saúde... Mas... No fundo, no fundo, ainda direi a mim mesmo: “Menos um dia!”

Se você tem algo que possa me ajudar, interaja comigo, escreva alguma mensagem e deixe nos  comentários.

Amém!

OS PRAZERES DA MINHA VIDA

                 Você deve estar pensando que, na minha lista de prazeres, vai encontrar de supetão: cervejinha, futebol e mulheres. Claro que não precisa ser nesta ordem.

                OK! Tratando-se de pertencer ao gênero masculino, cabe a pergunta: realmente, quem não gosta de uma cerva bem gelada? Quem não gosta de um jogo da Champions League? Quem não gosta de um bom motel?

                Hoje, aos 69 anos, querendo confirmar que esses são os grandes prazeres de um homem, resolvi fazer um retrospecto da minha vida:

Quando adolescente, adorava namorar e ver futebol.

              Quando adulto, adorava namorar, ver futebol e tomar cerveja.

                Agora, eu adoro ver futebol e tomar cerveja.


DIVINO PUXÃO DE ORELHA

             Hoje eu acordei amargo. Por mais que tivesse enchido o meu café de açúcar,
estava amargo. Amargo que nem eu. A minha mulher me deu um suave “bom dia”, mas me soou como um trovão. A sensação era de que o mundo acabaria a qualquer momento.

Desconfiado e imaginando o pior, verifiquei a glicose e a pressão. Incrível! Estavam tão normais quanto o nascer e morrer do dia. Botei, então, a Alexa para tocar músicas que pudessem me alegrar; telefonei para os filhos, que sempre me dão palavras motivadoras; li notícias do meu time, que ontem à noite tinha dado uma goleada... Mas nada. Continuei amargo como o jiló.

                 Porém, quando liguei o meu computador e vi que não tinha nada para escrever -  terminei meu recente livro, ontem à noite -, e estava sem inspiração alguma para começar algo novo, foi que caí na real, foi que então supliquei: “Por favor, meu Deus, me ajude a sair dessa!”

                Mas qual não foi a minha surpresa, quando Ele me disse: “Por acaso, você se lembrou de mim, para agradecer à inspiração que lhe dei, quando colocou seu ponto final no livro, ontem à noite? Enquanto se deleitou durante todos os dias em que o escrevia, lembrou de me chamar para ouvir cada página quando lia? Pois se não me convidou para os seus momentos de alegria, por que está me chamando agora que está triste?”

                E foi então que tudo se transformou. Orei, pedindo o seu perdão. E qual não foi, mais uma vez, a minha surpresa, quando me veio a inspiração para escrever. Escrever justamente sobre isso.

A DÚVIDA DO BOTAFOGUENSE

 


                Um certo torcedor do Botafogo (não cito o nome para que meu vizinho não coma o meu fígado), na hora de fazer a declaração do Imposto de Renda deste ano, teve uma dúvida e ligou para a Receita Federal.
                “Entusiasmadíssimo com a campanha do Fogão no Brasileirão do ano passado, comprei o título do clube. Devo declarar?”
E eis que lhe responde o agente:

“Caro contribuinte, cuidado!  Se no ano passado o senhor comprou o título que o Botafogo não ganhou, é corrupção! Além disso, só se declara à Receita aquilo que se ganha. Já que em 2023 o Botafogo não ganhou nada, o senhor não tem nada a declarar. Está isento!”

ÊTA LINGUA PORTUGUESA!

     Cheguei num bar e pedi ao garçom:

                “Por favor, um chope escuro!

                “Escuro?”

                “Claro!”

                “Desculpe, senhor. Claro ou escuro?

                “Escuro!”

                “Então, escuro, certo?”

                “Claro!”

                Como ficamos nesse impasse vários minutos e a sede era insuportável, troquei o pedido:

                “Traz, então, uma água mineral.”

                “Mineral?”

                “Natural!”

                “Desculpe, senhor. Mineral ou natural?”

                “Mineral!”

                “Então, é mineral, certo?”

                “Natural!”

                E acabei saindo do bar mais morto de sede do que entrei.

 

*****

 

                Depois do assalto em minha casa, que foi tarde da noite, o policial perguntou:

                “Então foi à noite?”

                “Tarde!”

                “Tarde ou à noite?”

                “Tarde! À noite!”

                “Desculpe, mas... tarde ou à noite?”

                “Tarde! À noite!”

                “Tarde, então?”

                “Já disse! À noite!”

                E nesse vai e vem, acabei não registrando o assalto.

 

*****

 

                O Joaquim, vindo de Além-Mar, com a recomendação do seu amigo Manoel que, no Brasil, tinha um prato maravilhoso, o qual ele não deveria deixar de provar, retornou “p” da vida à “terrinha”.

                “E então, provou daquilo que sugeri?”, perguntou Manuel, assim que se reencontraram.

                “Provar, eu provei! Mas não sabia que me querias muito mal!”

                “Por quê?”

                “Ora, pois! Porque eles me arrebentaram todo o ânus!”

                “Como assim?”

                “Ao chegar ao restaurante, assim que fiz o pedido, eles me levaram para um quarto escuro e me enrrabaram. Afinal, era uma rabada e eu não soube pedir? Ora, se eu soubesse que aquilo era a tal surubinha...”

                “Surubinha?! Que surubinha, Manel?! Eu me referi ao pintado, que lá no Brasil chamam de surubim!”

*****

                Eu e minha mulher fomos passar férias na Bahia.

                Sei lá por que cargas d’água, ela cismou que teria de comprar um novo sutiã. Assim, em vez de sairmos do hotel para conhecer os pontos turísticos de Salvador, fomos às lojas de artigos femininos.

                Depois de entrarmos em diversas lojas e ninguém ter o que ela desejava, é que descobrimos que, por lá, o sutiã chama-se galefom.

                Até aí, tudo bem. Pior foi quando estávamos numa praça pública, e uma mulher, batendo com uma das mãos entre as pernas, chamando seu cachorrinho, nos deixou tremendamente assustados. E ficamos assim até descobrirmos que lá, o diminutivo de Pedro é Piroca!

O VENDEDOR E A ENTREVISTA

               Eu não fui somente professor. Nas minhas andanças profissionais, trabalhei na área de vendas.

             Tive sorte. Depois de algum tempo, fui promovido ao cargo de supervisor e, vejam só, juntamente com meu gerente, tive a responsabilidade de escolher o candidato que tomaria o meu lugar.

                Nesse dia, a minha experiência foi inusitada. Não só pela pergunta que meu gerente encerrava a entrevista, como pelas respostas dos candidatos.

                Pois bem, o candidato entrava, se apresentava e, após perguntarmos sobre suas experiências profissionais, objetivos na empresa, pretensão salarial, o meu gerente encerrava a entrevista perguntando: “Quanto são dois mais dois?”

                O primeiro candidato, assim como eu, surpreendeu-se com a pergunta, porém, foi taxativo: “Dois mais dois são quatro!”

               Resposta obviamente certa, que não só teve o sorriso do meu gerente, como a recomendação de que ele aguardasse em casa o contato da empresa.

                O segundo candidato foi no mesmo tom. Porém, já não se surpreendeu tanto com a pergunta, e foi até audacioso na resposta: “Ora, quem trabalha com vendas sabe que dois mais dois são cinco!”

                Resposta que fez com que meu gerente abrisse um sorriso de orelha a orelha, porém, pedisse que ele aguardasse em casa um contato da empresa.

                A entrevista do terceiro candidato foi uma reprise entediante. No entanto, quando lhe foi feita a pergunta-chave, e vi que o sorriso do meu gerente fez com que os cantos da boca se encontrassem na nuca, não tive dúvida: a vaga seria dele.

                 “Quanto são dois mais dois?”, o gerente perguntara.

                E numa resposta rápida e precisa, ele disse:

                “Qual o resultado que o senhor deseja que eu responda?”



QUANDO NASCI NOVAMENTE


No dia 27 de setembro de 1977, então com 23 anos, nasci novamente.

    Era bem cedo, quando deixei Jacarepaguá na direção de Botafogo, onde, cursando Ciências Biológicas, teria uma prova na Universidade Santana Úrsula. Havia combinado com minha avó que, logo após a prova, eu a levaria a uma comunidade carente para distribuir seus doces de São Cosme e São Damião.

    Eu jamais fiz aquela prova, como não levei minha vó para distribuir seus doces naquela manhã. Ainda não eram 7 horas, quando, no cruzamento das ruas José Linhares com Alberto de Campos, no Leblon, meu carro foi abalroado por alguém que não respeitou o sinal.

    Nasci novamente. Talvez seja melhor dizer que fui gerado novamente, pois, como a primeira gestação, também aguardei 9 meses para saber de fato quem eu era. Sim, porque, quando abri os olhos no Hospital Miguel Couto, com traumatismo craniano, deslocamento de bacia, 54 pontos na beça e um dos pés quebrados, estava com amnésia.

    O que sei sobre esses 9 meses foi contado pela minha mãe, meu irmão e minha vó, que, depois de receber alta do hospital, cuidaram de mim.

    Não sei se toda amnésia é assim, mas eu não deletei da minha pasta todos os arquivos. Além de mim mesmo, infelizmente, esqueci dos amigos, dos meus pais, dos avós, do meu irmão, e vejam só, da namorada. Mas os arquivos dos conhecimentos gerias, como a Matemática, o Português, a leitura e, por incrível que possa parecer, o desejo pela escrita, permaneceram intactos. E, nesse aspecto, segundo minha mãe, eu me recolhia no quarto e, com uma prancheta, folhas de rascunho e uma caneta, eu escrevia, escrevia, escrevia... Algo que, segundo ela, depois que me recuperei, justificava: “Como você precisava respirar, e escrever sempre foi seu oxigênio...”

    Ela dizia, também, que era terrível, quando meus amigos vinham me visitar e, tentando de toda maneira — contra a vontade dela e dos médicos —   fazer com que me lembrasse deles, intempestivamente, eu acabava os expulsando de casa como os vendilhões do templo. Mas também, rindo, dizia que a maior dor de cabeça que eu tinha não era devido à pancada e da cirurgia, mas da namorada que não aceitava de jeito algum o fato de não lembrar da sua existência.

    Tenho, até hoje, guardadas as fotos do meu Fuscão todo destruído. Foi realmente um milagre ter sobrevivido, quando olhamos para elas. O carro, cujo o seguro, infelizmente, tinha vencido uma semana antes, foi vendido a uma oficina por preço de banana. Ah! E por falar em banana, esse também foi um arquivo que deletei da mente: nenhuma comida de que eu gostava antes, e que minha mãe e avó faziam para me agradar, coitadas, ganhavam de volta uma baita cara feia.

    Também tenho guardado tudo o que escrevia. Interessante que, sem o menor jeito para fazer o “O” com um copo, também desenhei uma capa – uma lâmpada, que rodeada por mosquitos e descendo do teto até uma cama, tomava o lugar da minha cabeça acima do título – quem sabe de uma suposta publicação —, que dizia: Suíte do Desesperado.

    De vez em quando - principalmente, quando faço esse meu segundo aniversário – eu releio esses textos. Mas, ainda, como me parecem hieroglifos, que não consigo decifrar, continuam guardados.

    Dizem que, quando acontece um milagre e a gente renasce, passa a ver a vida de outro modo, é verdade sim!  Eu, que nunca acreditei em São Cosme e São Damião – levava a minha avó para distribuir seus doces porque, simplesmente, era a minha avó, hoje tenho certeza de que, se não fossem eles me protegendo, teria morrido. E mais: eu, que sempre fui católico apostólico romântico – e não praticante porque só falava com Deus via Embratel -, tenho Ele no meu coração, no meu dia a dia, nos meus passos... E por que sinto que devo retribuir toda essa gratidão de ter nascido de novo com aquilo que, humildemente, acho que é o melhor que posso fazer, eu escrevo, escrevo, escrevo...

UTILIDADE PÚBLICA PARA OS APOSENTADOS

    Faltando um ano para receber o “privilégio” da Previdência, estudei e me preparei para a famigerada aposentadoria.

Passei noites em claro pensando e fazendo uma lista de tudo o que eu queria:

  • Acordar tarde.
  • Assistir Netflix até de madrugada, na cama.
  • Fazer caminhada pela manhã.
  • Tomar um chopinho com os amigos no bar, antes do almoço.
  • Ver futebol na TV a três por dois.
  • Viajar.

    Mas cometi um grande erro: esqueci que conviver com a minha mulher, que já estava aposentada, 24 horas por dia, e que ela poderia levar em conta o seu vício: o uso do celular, que faz a cabeça de todo mundo com a palavra de ordem, que é “compartilhar”.

    Assim, quando acordo “tarde”, por volta das 7 horas, tenho de fazer a cama e lavar a louça do café. Que depois da caminhada, mal chego no bar, ela liga, mandando eu comprar legumes e hortaliças para o almo, que devem chegar à casa urgentemente; que ver a Netflix até de madrugada, tem de ser na TV da sala, porque se sente incomodada, no quarto; que o futebol, também de ser com o volume baixo porque, além de atrapalhar a sua novela, preciso ouvir que sou um otário já que os campeonatos são cheios de corrupção, e todo mundo sabe quem será o campeão.

    Pelo menos devo admitir que sobrou a viagem. Claro que, nesse momento, estou só planejando, porque, atualmente, as viagens que ando fazendo é de casa para os shoppings e para a casa da sogra.

    Portanto, amigos prestes a se aposentarem, quando forem planejar suas famigeradas aposentadorias, pensem bem se não será melhor continuarem trabalhando, para não fazerem como eu, que estou saindo para uma entrevista de trabalho.

SAUDOSISTA COM MUITO ORGULHO

Dizem que saber envelhecer é uma arte e que o vinho quanto mais velho, melhor. Acredito que a arte desse envelhecimento está no saudosismo...